Dor

Dilacera. Perde-se o controle sobre o corpo. A cabeça realmente manda em todo o resto. Sempre fui cético sobre o que a depressão causa pois nunca a tinha experimentado. Eis que hoje sei.

O delírio, a pressão que cai (ou sobe), os pensamentos que não se encaixam. O olho que arde de tanta lágrima. Paradoxo.

O arrependimento que não tem cura, e jamais terá. Apenas tem analgésico, e esse é o tempo. A vontade irreal e surreal de voltar atrás, o desespero de imaginar, de novo e novamente, cada segundo daquele momento terrível. Cada segundo em que ele poderia ter sido evitado.

Não hei de me perdoar jamais. Qualquer que seja o fim desta história. Não hei de esquecer que machuquei quem mais amo. Amo mais que a mim mesmo. E como o tempo anda lento! Como ele se recusa a correr quando mais precisamos dele!

A vontade se perde, o desejo é apenas um: o mais impossível. Nada mais gera sorriso, nada mais alegra o coração partido. É, definitivamente, a morte em vida. Tudo se arrasta em câmera lenta, mesmo os instintos básicos jazem esquecidos. A fome e a sede são saciadas na medida da sobrevivência. Não há prazer nem desejo.

É uma doença. É o pior que já vivi. É a vontade de me desfazer, mas sem coragem para tanto. Nem o sono diminui a dor. Pois ele não existe. O remédio que o homem inventou não supera aquilo que ele plantou. É inútil. O cérebro não aceita tais pequenezas, tais insultos ao seu poder. Ele manda e a ciência nada pode.

Eu a perdi. Perdi da forma mais cruel e estúpida. Perdi por uma fraqueza. E agora me pedem para ser forte. Besteira. Não há o que me descanse. Mas é verdade: estou mudado. Não é um mérito, pois precisei destruir tudo que tinha para isso. Mas ao menos aprendi. Pois é verdade o que dizem: o sofrimento ensina mais que a alegria.

Eu a desejo feliz mais do que a desejo comigo. Acho que é isso que chamam de amor. Se ela encontrar a felicidade fora desta casa, que assim seja. O sorriso dela me ilumina, mesmo que eu não o veja, mesmo que ele seja consequência de outros braços. Que ela vá, se assim achar certo. Eu nada posso pedir. Eu nada posso fazer. Eu só quero que ela sorria como já sorriu pra mim.

Quando ler isto, saiba que não há verdade tão grande quanto esta. Não peço por pena, não peço por compaixão. Eu a quero bem. Um dia já fui teu alento, mas também fui nossa ruína. Eu renasci depois daquele dia. Renasci sem ninguém, sem teto e sem lar, mas sou novo. E, se acreditar nisso, verá.

Eu te amo. Como jamais amei em vida. Sua falta me enterra vivo. Não quero vê-la partir, mas, se for, leve meu coração. Ele é teu.

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