Ela

Se não ela, quem mais? Eu amo. É certo. É vida, é cor, é mais do que a gente pensa que é quando é. Quando foi, você sabe. Você sente. Você arde. E se queima.

Que me falte ar, mas não sua respiração. Que me falte palavras, mas não sua voz. Que me falte alimento, mas não seu amor. Pois que me falte tudo. Renego, deixo pra trás. Não há sentido sem sentir. Não há vida sem bem querer.

Meus olhos são dela. Meu coração, agora só, também. Que o pegue e o jogue fora, mas não o deixe vagar. Ou ame-o, meu desejo é esse. Não sonho senão com ela. Os pesadelos são quando nada vejo, quando sonho negro.

Tudo é ela em todo lugar. Não enxergo senão nós, não vejo por trás da saudade. É como um véu: negro quando dói, colorido quando só nos separa a espera. E dói quase todo tempo. Se colore em espasmos de esperança. Em lembranças que depois ferem quando estendo a mão e não há a dela.

Nunca coloquei tanto em tão pouco tempo. É verdade, então, que a dor inspira? Que o sofrimento move as palavras? Deve de ser, pois o corpo é que não move. Estanca, interrompe, prende. Alívio só de momento e de furor, de olhos castanhos que espero rever.

É amor, sei e admito, não me envergonho e grito. Pra quem ler, ouvir e sentir, é amor. Ela. O que sente? Quem lê aí? É rápido, deixo fluir e assim elas saem. As palavras mais espontâneas, tudo que aqui está e tudo que deixei ir, que perdi. Meu amor é casa onde já não há inquilinos.

A lembrança é tão nítida que quase física. O cheiro, o toque. Me encontro louco e enlouquecido, julgado por uma sociedade de sentimentos passageiros. Piada quando falo sozinho, já que perdi minha ouvinte. Um contador de histórias que só traz passado. O presente, solidão. O futuro, incerteza.

Eu a vivo. Não é minha, mas desejo. Cada espaço de sua existência. Doentio? Que seja. Amar é doença que não mata e se espalha no ar. Infecta quem estiver respirando de peito aberto, sem medo. O antídoto, esse sim, é letal. Morre quem cura o amor com solidão.

Forte, muralha, mulher de ferro que vale ouro. Frágil quando quer ou se muito precisa. Do passo ágil, da língua ferina. Sabe amar e ferir. Vai pelo amor, mas não foge à guerra. Ah, como é forte! Como cativa mesmo quem não quer pra si! Cara de menina, todo de mulher. Ainda está pra vir alguém assim.

Me lembra Kahlo na imponência, Thatcher na firmeza, D’Arc na coragem. Me lembra Diana na bondade, Monroe na sensualidade, Tarsila em sua arte. Mas não é nenhuma delas. É melhor. É real e está aqui. Foi minha e por isso choro. Que me invejem, ao menos, por tê-la tido. Ou que me odeiem – e assim torço – por tê-la de volta.

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