Eu

Não consigo mais suportar. Não suporto mais os índicios, as verdades. Ela está indo. Ela vai. A esperança que me mantinha vivo me diz, em tom zombeteiro: “Acorde, tolo!”. A esperança que me mantinha calmo sorri e acena: “Já me vou. Levante-se!”.

Se eu previ? Não. Ingenuidade ou burrice, escolham, mas não. Sabia que poderia acontecer, mas não dei ouvidos à realidade. Aliás, ela já me fugiu há muito. Não sei, de fato, por que me torturo. Por que busco saber antes do tempo. É o mal da nossa era. O silêncio não existe.

Então que eu me erga. A lama que me cobre até os cabelos pode endurecer e virar cimento. Não ei de permitir isso. Não ei de causar, mais uma vez, minha própria ruína. Só eu sei o que há aqui dentro. Só eu sei que tenho me castigado com vigor e vontade. Liberte-me, Thyago!

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