Reflexo

Em uma outra estrada, em um ônibus diferente, olhando pela janela, ele mais uma vez reflete.

Assim como sua imagem no vidro, que lhe aparece transparente, com a nova paisagem ao fundo, ele reflete olhando para o seu próprio rosto, olhando para o seu interior. Ele reflete devagar.

Sua solidão é fundamental para a sua reflexão, e dói, o tal preço da evolução. Ele vê, ele se vê com mais clareza nesse instante. Nada pode afastá-lo de suas descobertas, de seu caminho, de sua jornada interior.

Não é ninguém, não será nada. O mundo é muito grande, nada consegue ter realmente importância. Tudo é impermanente e incerto, complexo e caótico.

O que ele enxerga naquele vidro na sua frente, entre a paisagem nevada e a imensidão da paisagem rochosa é a realidade.

Seu reflexo é a única realidade.

É  a única coisa em que tem, efetivamente, controle. É a única certeza. É a realidade. Ele é ele.

É a singularidade.

E como em um lampejo de consciência e racionalidade, com uma certeza inabalável, ele olha no reflexo de seus olhos e chega a conclusão:

Não adianta buscar felicidade do lado de fora da janela, ela está na realidade bem ali: no seu reflexo.

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