A Viagem de Clarice – Parte II

Ao ouvir a notícia da cadavérica figura Clarice desatou a gargalhar “Claro, agora eu tenho certeza que estou mesmo tendo um estranho sonho. Se assim você me diz, como morri então?”

Yin em uma fração de segundo se materializou em frente a Clarice e encarou-a com seu olhos negros e opacos em meio ao turbante, fitando-a com as sobrancelhas arqueadas.

“Fazia tempo que não ouvia risos nesta câmara. Não sei a causa de sua morte. Há muito que não tenho contato com as trivialidades e os detalhismos do mundo físico e de seu povo, mas vou te levar a um local onde terá mais respostas”.

Yin deu as costas e foi caminhando até a grande porta de onde havia saído, Clarice foi atrás ciente que logo acordaria e sentiria um tremendo alívio pelo término do sonho bizarro.

Seguiram por um escuro corredor, Clarice mal enxergava, Yin pediu para que segurasse em suas vestes que ele a guiaria.

Enquanto Clarice percorria o caminho, pensava “Trivialidades e detalhismos, é isso que a morte e as aflições humanas significam para essa coisa? Será ele um outro tipo de inteligência, um extraterrestre, um espírito, o próprio Diabo?”

Enquanto se perdia em suas ideias Clarice ouviu gritos e gemidos vindos do final do corredor, sentiu novamente o medo correndo por sua espinha, um medo real, bem diferente daquele que se sente em sonhos.

“Para onde você está me levando?”

“Estamos indo ao átrio central Clarice, todas as câmaras levam até ele, é lá que a maioria da população daqui se concentra”.

Uma luz vermelha e um calor invadiram o corredor, Clarice novamente suava. Após uma curva no estreito corredor chegaram a uma abertura de onde via um enorme campo rochoso com milhares de seres, aparentemente humanos, em um intenso movimento, indo de um lado para o outro incessantemente.

Clarice viu de onde vinham os gritos e gemidos. Pessoas eram açoitadas por outros que vinham atrás delas. Elas eram escravas. Percebeu também que havia corpos estendidos no chão, provavelmente mortos. A visão ali de cima era assustadora.

“Clarice desça por essa escada”, Yin apontou para seus pés, onde uma escada íngreme, de aproximadamente trinta metros de altura, descia até o campo. Notando o medo de Clarice, procurou acalmá-la.

“Nós vamos apenas passar pelo átrio, teu lugar não é aqui, teu lugar é com o Grande Duque Dantalion, o mestre das ciências e das artes, aquele que conhece os pensamentos de todos os homens e mulheres”.

(continua nos próximos posts)

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