Soprando as velhas

Lembro-me da ansiedade que precedia o dia 25 de janeiro. Ansiedade em boa parte materialista, vale dizer, mas a inocência não me permitia achar isso errado. Tampouco me parecia egoísmo gostar de ver todas aquelas pessoas reunidas por minha causa. É triste crescer e não dar mais importância a essa data. Não porque eu deixei de ganhar presentes. Ainda recebo uns cascalhos dos meus pais. Mas porque estou ficando velho.

Das grandes festas que traziam os parentes todos, depois aos barzinhos quando ainda não nos pediam identidade e, por fim, às viagens planejadas com meia dúzia de amigos, me restou um whisky com meu último moicano – mais exatamente o jovem que divide este blog comigo. É isso que farei hoje. Perdemos animação porque também perdemos amigos. Mas, sobretudo, a vida se descortina um tanto mais todo ano e a cada queda ficamos mais amargos. Ou realistas.

No passado, comemorar o aniversário era prática pagã entre os cristãos. Celebrar o dia em que viemos ao mundo era ato de idolatria e luxúria. Não sou exatamente religioso – embora tenha tido uma criação protestante – mas concordo. Que tenho de tão importante que devam me parabenizar a existência? Que faço ou fiz de memorável nos últimos 23 anos? De novo, a amargura.

A verdade é que eu não dou muita importância a datas. De qualquer tipo. Você deve estar imaginando a quantidade de problemas que já tive por causa isso. Pois é. Mas você aprende, se adequa, passa a fazer parte do contrato social. É claro que gosto de receber votos. Quem não? Mesmo que virtuais, de semi-desconhecidos. Não importa. Por algum motivo, a pessoa se dedicou a gastar 10 segundos para me escrever.

Sinto falta de não conseguir dormir direito na véspera, de pedir presentes, de soprar com muitos perdigotos voadores as minhas velas. Eu fazia desejos de forma tão convicta, tão ardente! Acreditava naquela “mágica”. E era feliz assim. Queria deixar de ser tão azedo às vezes, sabe? Queria deixar de lado os problemas que a vida me arruma e dar-lhe um abraço. Agradecer-lhe por estar aqui. Vamos fazer um trato? Comemorarei os próximos anos se você os me der.

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