Controle

Quando conto a alguém que posso “controlar” meus sonhos sou recebido com cara de espanto, de “not bad” ou de “ah, vá!”. Não é sempre (na verdade, é raro), mas é fato: tenho a consciência de que estou sonhando. E isso é bom. Na maioria das vezes, pelo menos.

Algum de vocês já devem ter passado por isso. Não posso estar sozinho. Te deixa intrigado quando você acorda. Esta noite mesmo eu sonhei que estava na minha antiga casa – em que morei até os 17 anos – e, enquanto observava os cômodos, os móveis, eu pensava: “Impressionante como ainda não acordei. Este sonho está durando bastante”. É verdade! E, além de verdade, é apenas um exemplo do que já passei nessa “realidade paralela”.

A minha primeira reação, ao saber que estou sonhando, é fazer algo impossível. É controlar aquela situação da forma que quero. E é foda, muito foda mesmo poder sair levantando carros, quebrando paredes, batendo no Anderson Silva. É um “Todo Poderoso” em que eu sou o Jim Carrey. E eu só passo a fazer essas coisas impossíveis DEPOIS que percebo estar sonhando. Diversas vezes estava sendo perseguido, ou apanhando, ou sendo de alguma forma subjugado quando “virei o jogo”.

Nem sempre, entretanto, eu crio esse “The Sims” na minha cabeça. Como no sonho de hoje, existem ocasiões em que eu apenas compreendo que estou dormindo. Outras vezes, transformo o pesadelo em comédia, por não mais temer o tinhoso que se aproxima. Sei que ele não é real. É meu consciente mostrando o dedo do meio pro subconsciente: “Aqui não, otário!”.

Toda essa loucura começou na infância. Quando criança e tinha um sonho ruim, eu usava uma “técnica” (vocês devem estar me achando ridículo): fechava os olhos e começava a rodopiar, a girar com os braços bem abertos. No começo dessa dança de terreiro, minhas mãos batiam em tudo que é coisa que estava presente naquele sonho: paredes, pessoas, dragões verdes de língua dourada. Mas, a cada giro, o impacto ficava mais fraco, era como se o sonho fosse se desfazendo. Até que eu não encontrava mais obstáculos. E acordava.

E assim comecei com essa psicopatia. A cada ano que passa eu sinto que controlo mais perfeitamente meus sonhos. Claro, uns dois por mês são assim. E olhe lá. Mas isso me faz pensar: e se eu conseguir um dia fazer com todos? E se todos nós conseguirmos? Passaremos a viver dormindo, pois a realidade que criamos é melhor do que a que vivemos. Seria terrível. Tenho medo de gostar mais do surreal do que do real.

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