A Viagem de Clarice – Parte III

Desceram a íngreme escada e Clarice seguiu Yin pelo desértico campo do chamado átrio central.

Clarice pensava no tal Dantalion aflita, imaginava que seria escravizada como aqueles tantos que trabalhavam naquele campo, sendo condenada ao sofrimento eterno: “Será isso que me aguarda? É provável, certamente o inferno não será nada agradável, estou condenada a sofrer eternamente”.

Conforme avançavam, Clarice via criaturas parecidas com Yin, porém mais austeras, açoitando e agredindo os humanos que eram forçados a trabalhar sem intervalos.

“Estes são os integrantes das Legiões, ajudam os mestres a realizar seus objetivos” disse Yin, provavelmente por ter ouvido os pensamentos de Clarice, “Eu sirvo apenas Dantalion, e seus métodos correcionais diferem um pouco das tradicionais torturas físicas”.

“Métodos correcionais… Yin, eu estou aqui porque fui julgada? Fui realmente uma má pessoa durante a minha existência na Terra?”.

“Nada sei sobre sua existência corpórea, Clarice. Provavelmente nem você sabe muita coisa, e por isso Dantalion a convoca. Ele vai abrir teus olhos”.

E, se virando para Clarice, Yin completa: “E nem pense em… Aliás, pare de pensar em fugir, os outros demônios não são tão pacientes como eu estou sendo”.

“Yin, só quero saber se vou ficar bem. Não quero acabar neste sofrimento como eles”.

“Você vai ficar bem, Clarice”.

Já andavam pelo átrio há cerca de 2 horas quando Clarice avistou uma grande torre iluminada se erguer por entre a paisagem rochosa. Yin apontou para a torre, indicando que para era lá que iriam e rumaram em direção a uma fenda em meio a uma imensa parede rochosa.

Entraram na fenda e andaram agachados em uma tremenda escuridão durante 15 minutos, o ar era pesado, o silêncio do local era absoluto.

Clarice ouvia apenas o seu próprio respirar e o barulho do seu rastejar. Percebeu que Yin não emitia som algum, nem de seu corpo, nem de suas vestes.

Chegaram ao final da fenda. Clarice levantou e percebeu que estava em uma densa floresta tropical, com uma vegetação fechada cortada por um pequeno caminho de terra ao meio, formando uma trilha.

“O mestre aprecia o contato com a natureza”, disse Yin, indicando o caminho a ser trilhado.

Clarice se questionava como no inferno poderia haver tamanha diversidade de ambientes. Há pouco estava em um seco deserto e agora estava dentro da floresta mais úmida que já havia visto.

Apesar da angústia e do medo que sentia, Clarice também sentia uma enorme fascinação pelo local, sentia a vida pulsar por entre aquelas árvores. Sentia uma energia imensa, natural, que invadia seu corpo, e apesar de toda a insegurança  sentia-se forte pela primeira vez desde que acordara.

Assim, enquanto esse novo sentimento lhe invadia, avistou alguns metros à sua frente a entrada da luminosa torre do demônio Dantalion.

(Continua [ou não] nos próximos posts…)

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