Ao meu caderno

Deito meus sentimentos em você. O sofredor maior, o amigo solene. Não há nada que você não saiba. Nada que não observe, atento, mas em silêncio. Tenho lhe contado apenas histórias de aflição e tristeza. Sei que você não já não as suporta. Mas firme, amigo, firme.

Hoje, contudo, é sua vez. Sua casa usarei, mas em sua homenagem. Sua boa vontade tomarei para agradecer-lhe. Pois bem sabemos, amigo, que não há outro caminho. Não tenho a quem recorrer no ápice de minha treva.

Obrigado por absorver cada pensamento sombrio, cada lágrima que lhe borra o rosto. Obrigado por não se importar com a minha confusão, com minha mente transtornada, com minha indecisão. Eu lhe digo coisas e depois desminto, peço para que desconsidere. Conto de novo.

Não me imagino sem sua companhia, constante, onipresente. Me acalenta sua presença. Pois estamos sozinhos, amigo. Somos eu e você. Desde sempre. Pense bem: quando tivemos, de fato, outra família? Somos nós. Eu com o pesar, você com o ombro.

Seja forte, amigo. O caos apenas começou. Se me vê em ruínas, sabe que é em você que buscarei me reconstruir.

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