Frida

Do México para o mundo. A mulher que deu uns amassos no Trótski, que ostentava – com orgulho – monocelhas, que sobreviveu a uma barra de ferro atravessada pelo corpo. Arrisco-me a falar um pouco sobre Frida Kahlo, por quem me apaixonei gravemente durante a leitura de sua biografia, escrita por Hayden Herrera. E, claro, sobre o livro que me abriu os olhos para essa guerreira latina.

O livro “Frida – A Biografia” me foi dado no dia em que apresentei o meu TCC. Eu nunca fui um entusiasta da pintora, nem ao menos sabia muito mais do que aprendi no colégio sobre ela, e fiquei muito curioso para entender por que tinha recebido tal presente. Fui à luta e descobri uma artista de caráter, carisma e talento incomparáveis. Pena que tenha partido tão cedo.

Nascida em 1907, ela gostava de dizer que havia vindo ao mundo em 1910, ano da Revolução Mexicana. Absolutamente apaixonada pelo seu povo, sua cultura e seu país, Frida mostrou ao mundo a força de sua terra e de sua gente. Tinha estandartes ideológicos fortíssimos e bradava seu apoio ao Comunismo. Foi esposa de Diego Rivera (muralista renomado sobre o qual preciso ler mais) em um casamento muito conturbado.

O que marca a obra de Frida é seu sofrimento, físico e psicológico. Aos 18 anos ela encontraria o fardo que carregaria até morrer, jovem, aos 47. Em um acidente de bonde, o para-choque de um dos veículos perfurou-lhe a pélvis e saiu pela vagina. Pois é. Impressiona o fato de ter sobrevivido. Depois desse dia, sua vida foi um inferno de cirurgias, coletes de ferro, morfina. E desse inferno é que ela tirou o clímax de sua arte.

Hayden Herrera, que é historiadora, faz um trabalho completo não só ao contar a trajetória de Frida, mas ao interpretar suas obras. As análises parecem bem acertadas e coerentes, visto que várias pinturas ficaram, digamos, sem “explicação”, cabendo a nós apenas especular. A leitura flui fácil e não tem gosto de livro de história. Lembra até uma ficção às vezes, como se Frida tivesse sido criada por Hayden.

O único “porém” é que, como qualquer biografia, há que se ter interesse pela pessoa ali retratada. Bastante interesse. No meu caso, foi um pouco difícil engatar a segunda marcha. Nunca tive muito interesse em arte. Pelo menos não a ponto de ler mais de 600 páginas sobre. Mas Frida é irresistível. Quando você menos espera, já está cativo.

Tinha personalidade instigante. Muito forte para um corpo tão pequeno. E tão machucado. Não é a toa que tantos homens – e grandes homens – a amaram. O padrão de beleza ocidental se esfarela quando falamos de Frida. Foi uma mulher na mais completa acepção da palavra. Amou com vigor e morreu apaixonada. Mas também exausta. A última anotação em seu diário: “Espero que minha partida seja feliz, e espero nunca mais regressar”.

O livro exige elevadas doses de atenção e dedicação, mas vale a pena. Tanto vale que outro dogma meu foi quebrado: nunca fui muito adepto das biografias. Considerava (entre muitas aspas) “perda de tempo” ler sobre a vida de uma pessoa só quando eu poderia ler sobre uma sociedade, um movimento, uma era. Achava que não deveria me ater à trajetória de um entre tantos bilhões. Estava errado, claro. Merecem ser estudadas as mentes atípicas. Aquelas de força, amor e revolução.

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