Corrupção e Descrença

Incialmente, importante esclarecer: não escrevo esse texto para denunciar algum tipo de corrupção ou para apontar nomes de políticos corruptos, essas coisas já estamos cansados de saber. Aqui eu quero tratar, na verdade, da reação do povo brasileiro a toda essa corrupção que ocorre há anos bem na frente da nossa cara. Da reação do povo brasileiro como um todo perante os escândalos que acontecem diariamente no Poder Público.

O Brasil é realmente diferenciado. Uma nação única. Somos incrivelmente mansos e pacíficos. Um dos países mais corruptos do mundo. Um nível pífio de educação e um nível altíssimo de pessoas vivendo em extrema pobreza.

Sim, eu sei, é um povo naturalmente corrupto, o brasileiro em geral gosta de tirar proveito das situações, é malandro e blá blá blá… Mas a natureza humana é assim, gosta de vantagens fáceis.

Só que há um porém. No Poder Público esse tipo de postura é crime, é inadmissível, é extremamente nociva ao país! Há previsões legais para prevenir essas condutas ditas “demasiadas humanas” na máquina estatal (vide Código Penal, artigos 312 a 359-A , “Dos Crimes Contra a Administração Pública”).

É espantoso o nível de descrença e impotência a que chegamos. Somos um povo calmo, pacífico, inerte, os detentores do poder fazem o que querem. E é compreensível, eles fazem porque nós deixamos, é simples. Com algumas posturas, nós legitimamos seus atos. Nós aceitamos calados.

Fomos treinados a aceitar esse tipo de conduta. Os próprios corruptos nos treinaram a agir dessa maneira. A mídia não dá a devida atenção às reinvindicações do povo e é extremamente covarde e submissa ao governo. E agora, para piorar o quadro, o próprio povo faz questão de desacreditar nele mesmo. Hoje o que mais se vê são alguns que, de tão descrentes, desacreditam daqueles que tentam, de alguma forma, mudar a situação.

Frases como: “Petição eletrônica não vai dar em nada, pra que vou assinar?”, “Passeata, também nunca dá em nada, só serve para gerar transito e caos na cidade.” Ou ainda: “Reclamar na internet (no blog) também não adianta”. E a pior: “Nada adianta, o Brasil nunca vai mudar.” E eu digo, claro, também cansado da corrupção e da impunidade como eles, mas eu digo: nada é permanente, tudo muda.

Chega a assustar tamanha indiferença perante aqueles que visam uma mudança, por menor que seja. Parece que esses descrentes estão jogando contra, que estão no outro time. Essa atitude é tudo o que os criminosos querem. “Nada vai mudar, deixem eles lá, fazendo o que querem, deixando a infraestrutura e os serviços do país no lixo, enquanto eles enriquecem e se perpetuam no poder.”

Não estou dizendo que as práticas que eu havia citado acima funcionam de imediato e tem 100% de chance de sucesso, não é isso. Mas já é alguma coisa, é um início, e tudo tem que começar de alguma forma.

Nosso povo está precisando de empurrões. O brasileiro não tem nenhuma consciência política ou coletiva. É individualista, extremamente capitalista, só enxerga a recompensa imediata, o lucro no seu bolso. Só pensa no imposto, na gasolina, na passagem do transporte público. É um povo extremamente imediatista.

É necessário criar e inflamar a consciência de que a corrupção é a raiz e o centro dos nossos problemas, e tentar erradicá-la é nossa obrigação, nosso dever como povo, para depois lutar por esses outros pequenos detalhes. Precisamos nos acostumar a reclamar da maneira certa. Focar no real problema.

Quero ver se um milhão de pessoas em Brasília prontas para colocar fogo e quebrar as coisas não mudaria nada. Quero ver se tirarmos a paz desses bandidos. Se ameaçarmos eles e suas famílias para que trabalhem direito, para que levem a sério seus ofícios. Infelizmente, a revolta do povo tem que ser ameaçadora, violenta, nada muda com apenas indignação do sofá de casa.

Já chega de tranquilidade. Temos que fazer barulho de todas as formas e fomentar a revolta do povo. Causar medo naqueles que nos utilizam para seus próprios fins. O ideal da erradicação da corrupção, ao menos em âmbitos federais é, com certeza, o desejo da MASSA.

Já vi muitas pessoas que reclamam da corrupção e reclamam igualmente das iniciativas e protestos. Meus amigos, como, na atual situação, vocês podem reclamar dessas ações? Direcionem suas forças para o bem comum, parem de desacreditar nos seus irmãos de pátria que já estão totalmente desacreditados. Parem de reclamar de revolucionários burgueses (ou da GAP), do socialismo utópico, dos Anonymous, do que seja. Precisamos focar no real problema.

No final, no Brasil, temos uma só vontade, um só foco que pode, SIM, mudar o cenário do país. Há uma voz que está entalada em nossa garganta, um grito que todos querem soltar, mas, por esse motivo, por essa descrença, a voz não sai. Ou sai muito baixa. Só nós podemos sair desse estado surreal de impotência política. Qualquer ato é válido, o povo tem que estar do lado do povo, e não caçoando daqueles que se movimentam em prol da mudança.

Meu discurso visa uma revolução sim. Um novo tipo de revolução, adequada à situação de nosso país. Uma revolução objetiva, com foco, desvinculada de posições e ideologias políticas. É simplesmente para que os brasileiros comecem a se ver como um todo. Quando isso acontecer, é certo que nenhum engravatado vai ter coragem de bater de frente.

Vamos buscar uma consciência coletiva em prol do nosso país para que criminosos não estejam na administração da República. Somos 200 milhões. Se 0,5% desse número agir JUNTO, o cenário com certeza muda.

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