MAD

Sou fã de quadrinhos, mas não acompanho de perto os lançamentos. Tenho centenas de revistas em casa, de várias editoras, desde as HQ de todos os super-heróis possíveis até Glauco, Angeli, Laerte, Henfil. Mas tenho poucas séries completas. Durante a infância e adolescência, comprei muitos números soltos, sem me preocupar com os antecedentes nem procurar pelas edições seguintes. O único título que sigo religiosamente é a Revista MAD.

Minha primeira MAD foi aos 12 anos. Desde então, venho acumulando as revistas em todo lugar que posso (e que cabe), totalizando mais de 200 edições. E olha que perdi dezenas de números nestes 11 anos de coleção. Muita gente me pergunta por que gosto da MAD, principalmente depois de folhear as páginas rapidamente. Tenho algumas razões sensatas, mas a verdade é: vicia. Muito.

O berço da MAD é norte-americano. Veio ao mundo em 1952, com o objetivo de ser uma “revista que tirava sarro de outras revistas”. Não pegou no tranco de primeira, mas o sucesso – merecido – veio depois de algum tempo. O padrão pouco mudou em meio século. Nasceu como uma grande reunião de esquetes humorísticos e assim permanece. Do ataque às outras publicações, a MAD passou a fazer graça de qualquer situação, seja ela política, econômica, cultural, social.

O humor agressivo, tosco e irreverente foi a marca da inovação na época. Transbordando ironia, sarcasmo, sátira e crítica social, a MAD chegou a ser proibida nos Estados Unidos e investigada pelo FBI por “incitar a delinquência juvenil”. Nas escolas, alunos tinham seus números “apreendidos” pelos professores. Era (quase) mais aceitável andar com uma Playboy do que com uma MAD. “Humor via veia jugular”, classificavam os próprios editores.

O personagem-símbolo da revista é mundialmente conhecido. Garoto sardento, ruivo, com um dente faltando e um sorriso despretensioso. “Alfred E. Neuman” apareceu pela primeira vez em 1954 e desde então marca presença em TODAS as capas. Virou uma tradição. Os fãs reclamam se ele falta. A frase “What, me worry?”, também famosa, nasceu de uma clara referência ao slogan do governo da época: “I Want You”, com o dedão apontado do Tio Sam.

No Brasil, a MAD chegou em 1974 e está aí até hoje. Entre indas e vindas, já passou pelo controle de quatro editoras, atualmente sob as asas da graúda Panini. O porquê de tantas bancarrotas? Em primeiro, o baixo número de vendas, claro. Mas a MAD tem a filosofia – se é que se pode chamar assim – de não ter anúncios nas revistas. Nenhum. Sempre foi assim.

O mais curioso é o público: de adolescentes (como eu, quando comecei) a pais de família (meu pai era leitor assíduo). Não foi sempre assim, contudo. A MAD nasceu como uma publicação adulta. Hoje a revista traz conteúdos mais leves (o que é uma pena) e atrai também a molecada (o que é bom).

Se você não conhece, nunca leu, só viu de canto de olho, vale a pena comprar um número. Experimente. Confesso que a MAD de hoje tem esquetes mais infantis, algumas até sem graça para quem já passou da adolescência. Mas ainda publica tesouros como Dave Berg, Sergio Aragonés, Al Jaffee e Don Martin, que já valem os sete mangos que você vai desembolsar.

Aviso: cuidado para não se viciar. É mais difícil aos 20 e poucos anos, mas não impossível. Seria mais fácil se ela retornasse às origens, admito. Mas vício é vício. Enquanto isso, torço para que a revista volte a ser reduto do humor underground, sem amarras, independente e ácido.

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2 comentários sobre “MAD

  1. Sei como é o tal ‘vício’… por isso respeito…
    Já fui viciado em várias publicações e até buscando conter isso, tenho dezenas de pacotes fechados (há vários anos… embalagens plásticas originais) das revistas Disney… coleção da qual era assinante.
    Se eu os abrir, haverá uma recaída!
    Estou guardando-os p/ um filho…

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