Doping mental

Entre um gole e outro de cerveja é que surgem as melhores conversas. Era 2008, eu fazia 18 anos e uma viagem com mais três amigos. Depois de alguns copos, o assunto começou. Falávamos sobre a necessidade de conhecimento, que só a sabedoria liberta o homem. Vou tentar convencê-los de que não era só papo de bêbado.

Concluímos (uau!) que o ser humano só é superior às demais espécies de seres vivos pela racionalidade, pela capacidade de pensar. Somos um fracasso em outros sentidos. Força física, audição, olfato, velocidade, visão. Somos, na melhor das hipóteses, “regulares” em todos esses aspectos. Há, na natureza, ao menos um representante que nos supera – e muito – em cada um desses pontos.

Eis que proferi: “De que adianta ser bombado se o elefante derruba muros de concreto? Hemogenin tem que ser na cabeça!”. Pronto, chegara ao clímax do debate. Não tenho (quase) nada contra ratos de academia. Quis dizer é que nada somos, mesmo em nossa melhor forma, perto do maior animal terrestre do planeta. Devemos é fortalecer nosso intelecto, esse sim inatingível para os paquidermes (é, eu sei, tem pessoas que estão no mesmo nível). E ah!, Hemogenin, para quem não sabe, é um esteroide.

Cinco anos depois, mantenho a mesma opinião. Creio que posso defendê-la de forma mais eficiente agora, mas é basicamente isso: abuse da sua mente. Leia. Muito. Leia até seus olhos cansarem e sua cabeça doer. Não há mal que se possa fazer com esse tipo de anabolizante. Não pegue um ônibus, não fique na fila do banco sem uma bula de remédio que seja. Livros, gibis, revistas, informações nutricionais da Passatempo. Leia.

É fato que mesmo os grandes, aqueles que dedicaram a vida ao conhecimento, se foram sabendo pouco do mundo. Todos iremos. Mas podemos terminar nosso passeio por aqui conhecendo um pouco mais do que quando começamos. Podemos responder às perguntas dos nossos filhos sem o Google. Podemos até, quem sabe, ser um pouco mais do que grandes produtores de lixo e CO².

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4 comentários sobre “Doping mental

    • Ah, o famoso polegar opositor! Sem ele não teríamos alcançado nada disto, é verdade. Mas nossos irmãos primatas também os têm e os aprisionamos em zoológicos. Quanto tempo para vermos, ao vivo, um “Planeta dos Macacos”?

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