Mangue

De pés descalços e calças nos joelhos.
Olhos atentos procuram o jantar.
Em seu altar da natureza,
sua realeza lamacenta.

O clima esquenta, ele escuta:
A luta feroz de dois urubus.
Açus, astutos e ferozes.
Atrozes diante de um corpo sem vida,
“a ida de uma alma é a renascença de outras”.

Que outras? Onde está sua caça?
A brasa de seu olhar agora acende.
A mente materializa a imagem de seus filhos famintos,
Aflitos, pequenos inocentes culpados.

Apinhados, os caranguejos que ele finalmente encontra lutam,
Pinçam e lhe ameaçam.
Lhe afrontam. Mas perdem.
Quem não cumpre seu papel natural?
Que local! Agora, a paisagem volta a fasciná-lo,
Atordoá-lo com tamanha vida.
Uma ilíada selvagem.

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