Sexto sentido

O sonho começa com o nosso personagem principal em um enorme salão, provavelmente parte de algum tipo de castelo ou palácio, não é possível ver o exterior do local. As paredes e o chão do salão, feitas de nobres rochas, cintilam ao reflexo das luzes que emanam do alto teto, o tapete central do local é imenso, de estilo árabe.

No centro do salão, há uma bancada onde várias atendentes estão passando informações às pessoas que chegam ali, e que se sentem da mesma forma como nosso personagem: completamente perdidas.

Ele encosta no balcão e pergunta para a atendente que está mais próxima, cuja a pele aparenta ser de cera ou material semelhante:

“Com licença, gostaria de informações sobre esse local. Acredito que estou dormindo, sonhando, e a minha mente veio parar aqui por algum motivo, a senhora pode me informar que lugar é esse?”

A atendente sorri. “Uma boa noite para o senhor, já que você está dormindo. Aqui é a escola de aperfeiçoamento sensorial. Você é o número 765 de hoje, seu mentor já vai lhe chamar. Aguarde alguns minutos”.

Ele vaga pelo local olhando os rostos assustados das pessoas que chegam pela porta principal do salão, assim como ele. Um fato lhe desperta a curiosidade, ninguém lhe dirige o olhar naquele salão, se sente invisível, todos estão entretidos demais com seus sentidos para que lhe dirijam olhares.

“765, sala 4, fileira H”, uma voz eletrônica irrompe pelas paredes do salão. Uma das atendentes o chama e pede para que ele a acompanhe. Passam por uma abertura, logo ao lado da bancada onde foi atendido, com a inscrição ‘IV’ na parede do salão, e lá uma câmara com várias cadeiras dispostas umas na frente das outras se apresenta. “É aqui que o senhor terá o treinamento do dia, será rápido, prometo”.

Ele encontra e senta na cadeira da fileira H, logo após um homem com uma estranha roupa, um smoking com faixas douradas nos braços e nas pernas se acomoda na cadeira a sua frente.

“Já faz tempo que te espero aqui meu caro, o que eu quero te ensinar hoje é o seguinte: sabe quando você adormece e se sente ‘travado’ na cama? O seu corpo adormecido, mas sua mente consciente, quando você grita e sua voz não sai? Tenta se mexer mas seu corpo não responde, quando se sente afundando na cama, como se uma mão sobrenatural com um poder paralisante te empurrasse para baixo, tentando de alguma forma sugar a alma do seu corpo, sabe quando sente isso?”

“Sei, claro. Acabei de sentir isso agora pouco, antes desse sonho começar”.

“Então, por mais que você continue não acreditando, estou aqui para te falar: aquela é uma mão de verdade”.

E o despertador toca, são 7 horas da manhã.

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