O mar

Repleto e uno, coisa só. És pai de tudo que vive, berço de nós mesmos. Mas és também carrasco de quem te desafia. Amplitude, companheiro meu desde que pequeno sou. Sempre o serei perto de ti. O mar. O mesmo que conheci quando vi o Sol do mundo. E o mesmo até que eu veja a noite.

É grande a paixão que te dedico. Em teus braços deixo minhas mazelas, logo engolidas pela espuma. Em teu ventre me deito e sou banhado também pelo teu irmão, pela estrela-mãe. O mar. Aos poucos dias de mim, já era teu.

Sempre fui teu aprendiz, sempre apreciei tua voz. Mas é agora, em meu momento de treva, que entendo tua importância. Sento-me sobre teu tapete e fico a te observar. Ouvir teu bramido incansável, incondicional. E quando a areia já me queima, vou ter em ti meu refresco. E minha paz.

O mar. Velho mar. Que alimenta, mas que também pune. Beleza indômita, ferida pelos próprios filhos. Tua grandeza, porém, jaz incólume. Não há quem possa subjugar-te. És rei. E em teu trono deixo meus lamentos. Em teu castelo, meus pedidos.

Há muito ensaio estas palavras. Simples, mas puras, de verdade repletas. Aceita pequena homenagem tal como fazes com minhas aflições. Leva meus pedidos em teu balançar. Se não há limite em teu caminho, não há em minha esperança.

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