A Viagem de Clarice – Parte IV

Caminharam por mais alguns metros na estrada em meio a densa floresta até chegarem em um descampado onde avistaram a base da torre, com uma enorme porta negra que dava acesso ao seu interior.

“Clarice, a partir de agora não posso mais te acompanhar. O mestre prefere ficar a sós com os humanos. Entre na torre e procure Dantalion”.

Clarice sabia que não adiantava pedir para que Yin lhe acompanhasse. Assim, se dirigiu até a entrada da torre. Parou em frente a enorme porta negra e leu uma inscrição gravada no rodapé superior: “Uma vida não questionada não merece ser vivida”, lembrou de já ter lido essa frase em algum lugar, sentiu um tremendo medo do que estava para acontecer.

Olhou para cima, a torre era iluminada apenas em sua parte superior parecendo refletir a luz que, de alguma forma, irradiava do céu sem sol, porém na parte inferior era feita de densa pedra negra opaca. Encostou a mão na parede negra da torre e sentiu que a rocha era extremamente fria.

Voltou-se a porta, Clarice parou em sua frente, e olhou para trás, viu que Yin ainda a observava, parado na estrada de terra que percorreram. Colocou a mão nas alças da porta e respirou fundo. Nesse momento algumas lembranças lhe vieram à mente. O seu último dia “viva” no mundo em que conhecia fora um dia extremamente normal, havia trabalhado em seu emprego novo, almoçado com seus colegas, tinha ido para sua faculdade mais cedo para adiantar um trabalho, depois assistiu às suas aulas, voltou para casa, jantou, conversou com sua mãe e dormiu.

Um dia típico, exceto por um aspecto. Lembrou que, antes de dormir, se sentiu extremamente desanimada com o rumo que estava tomando, apesar de estar fazendo tudo o que sempre procurou, uma onda de desespero lhe tomou o corpo e a mente durante a noite, antes de adormecer, como se, na realidade, nada daquilo que estava vivendo fizesse real sentido para ela.

“Estava realmente desanimada ontem. Antes, estivesse de volta à minha crise de tristeza do que estivesse nesse estranho lugar indo ao encontro de um demônio-juiz”, pensou.

Clarice colocou suas duas mãos nas alças e, com toda a coragem que ainda tinha, abriu a porta, se deparando com um outro local totalmente diferente do que já havia visto.

No interior da torre havia um grande salão com uma escada central. O chão em que pisava era feito de azulejos pretos e brancos, dispostos como em um tabuleiro de xadrez. Vários seres seguiam em diversas direções, com livros às mãos, alguns carregando instrumentos químicos, outros animais conservados em vidros, além de mapas e cadernos.

Clarice seguiu até o centro do salão e perguntou a um estranho homem de baixa estatura que passava rapidamente por ela: “Com licença… Por favor… O senhor sabe onde posso encontrar o Dant… o Dantalion”.

O pequeno homem parou, contrariado pela interrupção. Carregava um esquadro e uma grande régua, com a qual desferiu um golpe no braço de Clarice, e desatou a falar: “Quem ousa me atrapalhar!? A moça busca Dantalion? Ele está em seu laboratório, no último andar da torre. Acredito que você seja a novata. Não ouvi muito sobre você. Na verdade fui contra a sua admissão. Acho que você não tem o potencial que o mestre procura. Porém, quem sou eu para discordar. O mestre sempre tem seus motivos, e eles são os certos. Ele é o dono da verdade absoluta”.

(continua [um dia] nos próximos posts)

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