New York, New York

Em agosto do ano passado passei alguns dias em Nova Iorque (sim, “Iorque”). Estadia curta, mas marcante. Como previa, me apaixonei pela cidade que nunca dorme. Ou pelo menos pelo coração dela, já que fiquei apenas em Manhattan.

Não sou viajante experiente. Foi a primeira vez que deixei nossas terras. E algo como a quinta vez que embarquei em um avião. Por isso eu permito que vocês desconfiem um pouco do que vou dizer aqui. Mas não muito. Não sou fã do Tio Sam nem tinha um “sonho” de visitá-lo.

Foi uma viagem inesperada, na verdade. Tive a companhia do meu irmão mais novo – esse, sim, doido pela Big Apple – e corri para estudar mapas, pontos turísticos, restaurantes, o funcionamento do metrô, enfim, clássico turistinha. Mas não planejei NADA. Até sabia alguns destinos clichês indispensáveis, mas fui na coragem.

O bom de Nova Iorque é que se anda a pé. De metrô, no máximo. E eu andei. Muito. No verão. Deve ter sido por isso que voltei sem engordar um quilo sequer, mesmo comendo só fast food. Não tive um só dia de arroz e feijão. Era só KFC, Subway, Wendy’s. Sim, minhas coronárias ficaram por lá. E ah!, não tem tanta gente gorda assim. Pelo menos não fora das lanchonetes.

Bom, mas o que eu quero mesmo é tentar explicar como me senti lá. O contato com outras culturas é tão intenso, tão constante! Assim como São Paulo, há gente de todo tipo, de todo lugar nas ruas. E o melhor momento para andar por elas é à noite. Foi a noite insone de Nova Iorque que me conquistou.

Andar a pé foi a melhor coisa que fiz. Ouvir sotaques, ver a vida normal dos nova-iorquinos, tomar café da manhã com trabalhadores de todo tipo, comprar um “USA Today” naquelas máquinas que vendem jornal na rua. Credito a maior parte do meu encanto às minhas caminhadas. Dá pra ir sem metrô? Ótimo. Até porque uma passagem lá é algo perto de R$ 5,00.

O que senti, afinal, foi um misto de admiração, liberdade e espanto. Esse último no bom sentido. Admirava os prédios, as pessoas, os cafés, os bares, as vitrines com a liberdade de poder fazer tudo a pé e com o espanto de ser TUDO novo. É diferente de viajar pelo Brasil. Por mais que eu nunca tenha ido à Bahia, a língua falada é o português, a Coca-Cola é igual, o dinheiro é o mesmo, os carros, os mercados. Lá não. Eu comprava cigarros na farmácia.

Se eu pudesse aconselhar alguém, dizer por que ir para Nova Iorque, acho que diria: é como nos filmes. Sendo você famoso e rico ou anônimo e pobre (meu caso), a cidade se descortina, sem preconceitos. Foi na mesma pizzaria que eu cheguei a pé que o cara da Porsche tomou, como eu, uma Bud Light. Há uma segurança no ar que me parece fugir do quesito policial. É mais como se as noites fossem só “dias sem luz”. O trabalho segue, as luzes, o caminhar, os cantores e artistas de rua. Não há ruas desertas. A cidade toda é como a Avenida Paulista.

O que ficou foi uma saudade, que bate sorrateira às vezes. Agora, quando vejo o telejornal e passa alguma imagem, penso: “Nossa, eu estive ali!”.  E de detalhe em detalhe, fui pego. Voltar de um show na Broadway, em uma noite aberta, estrelada, com um café gelado na mão me pegou. Ver a cidade do alto do Empire State às 2 horas da manhã me pegou. Sair do hotel de madrugada e ver tudo pulsar… pegou você também, né, Sinatra?

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