Mulheres

A despeito de todas as questões realmente urgentes que merecem nossa atenção, e nas quais já há mais capacitados do que eu para falar, queria fazer um texto sobre vocês hoje. Relutei, a princípio, mas uma reflexão interessante me tomou de súbito e talvez eu tenha algo a acrescentar além de “parabéns”. Afinal, sei que hoje não se deveria dar flores, mas respeito. Assim como deveria ser sempre. Como nunca deveria deixar de ter sido.

Não quero falar em feminismo, em luta, em causa, engajamento, desigualdade, preconceito. Quero falar de interesse. Curiosidade. Penso que o sexo oposto deveria ser mais envolto em magia, certo mistério, algo a ser desvendado a cada dia. Pensamos, como homens, conhecê-las. Deixamo-nos levar por fáceis esteriótipos – nem sempre depreciativos – e já aos 20 e poucos anos nos julgamos grandes conhecedores seus.

Ora, como seres humanos somos únicos, independente de gênero. Já me é difícil conhecer os homens, ainda que, de certa forma, eu partilhe alguns aspectos “gerais”, comuns ao sexo masculino. Não sei se esses são fisiológicos ou sociológicos, mas há uma certa afinação. Se, sendo homem e convivendo nesse meio eu posso cravar apenas algumas poucas afirmações, que dirá sobre vocês, que, além de humanas, são mulheres.

Creio que um certo “hábito” nos toma desde pequenos, tornamo-nos “acostumados” às mulheres. Achamos coisa banal. É preciso deixar de achar – sim, achar, pois estou certo de que nós não as sabemos – que as temos em página escrita, pronta. Vocês são, por serem mulheres, duas vezes mais incógnita! Duas vezes mais encanto! São humanas e mulheres. Assim como nós também somos mistério para vocês.

Quero voltar a descobri-las. Não como amante, mas como homem, como parte de sua espécie, como companheiro de jornada neste mundo de terra. Fui tomado por um sentimento de complexidade que não sei exprimir ao certo. Parei para refletir: somos eu e você, nós e vocês. E, como metades, só somos completos juntos. Que júbilo é poder partilhar desta vida com outro ser tão semelhante, mas tão diferente! Que graça, que ares me dá!

No fim, minha mensagem se estende a vocês. A curiosidade de descobrir-nos. Como homem, vejo brilho em vocês, não em nós. Ainda que, como disse, nem de nós sei a fundo. Escolhi não falar de respeito pois julgo que deveria ser traço inerente, parte constante de nossa espécie racional. Escolhi falar de descoberta. De olhos atentos a outra realidade que nunca será a minha. Olhos atentos à outra dádiva que se move elegante em mesmo espaço.

Qualquer que seja nossa origem, fomos criados em dois. Somos pares. E só como pares seguiremos. Ainda que passemos anos sob um mesmo abraço, partilhando da companhia de outra pessoa, não teremos conhecido de todo seu interior. Que dirá o daquelas que se esfumaçam em nossa frente, na rotina cruel de olhares rápidos e julgamentos superficiais. Conheçamo-nos! Somos frutos da mesma terra, mas germinamos flores tão distintas! E, distintas, tão entrelaçadas, compondo um jardim que não se faz só de orquídeas ou rosas, por mais belas que sejam.

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11 comentários sobre “Mulheres

  1. É que tudo caminha pro mais do mesmo, dá uma puta preguiça de interagir com essa pessoas “rasas”, mas me pergunto também o que me faz ser tão interessante, a ponto de dizer que outros são rasos? Enfim,hoje em dia, parece que as pessoas mais que serem simples precisam ser todas iguais, para ser parte da sociedade, ao invés, da singularidade se privilegia a homogenização.
    Hoje, acho que todo mundo tenta ser tão igual dentro do seu “grupo/clube”, que cansa.
    Mas, as vezes, invejo quem é assim. Quem tudo aceita com as coisas são, penso que são menos neurosadas e se sentem menos na obrigação de fazer alguma coisa…Apesar, de tudo andar uma merda!uhsahusauhsa

    Você já leu Fahrenheit 451, do Ray Bradbury? Tem duas frases bem legais que eu li e me fizeram pensar: A primeira e mais opressora é: Você é feliz? E a segunda: Hoje vivemos uma ditadura da maioria.
    São duas que contrapõem aquilo que aspiramos e aquilo que vivemos.

    Acaso não o tenha lido, leia esse livro, vai gostar, só procurar uma resenha por ai, que acho que você se interessará, não vou dar spoiler aqui, só para não ser chata! uhashuashau. OMG sou bem verborrágica.

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    • Não acho que somos “superiores”. Acredito que uma boa definição do “ser raso” é se ater precisamente à cultura de massa, à “moda”, ao trivial, à agulha hipodérmica. E fazer tudo isso sem questionamentos. Todos fazemos parte, de alguma forma, da “massa de manobra”, mas há quem esteja nessa massa em todos os âmbitos possíveis. Não por ser naturalmente ignorante, mentalmente inferior. É uma questão social que envolve muitos fatores até externos à nossa vontade.

      Nunca li Fahrenheit 451. Já ouvi falar muito bem e quero colocá-lo como próximo na lista, assim que terminar “Rosa do Povo” (sim, ando bem deprimido hahaha). E sobre ser verborrágica: SEJA, POR FAVOR! É disso que precisamos não só neste blog, mas em todo lugar!

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  2. Essas discussões complexas sempre fluem melhor com álcool! Inclusive o pensamento sobre como nós humanos nos julgamos importantes, mesmo no meio de um universo, em que você não pode ser considerado sequer um suspiro no meio do tempo…
    Mas, você tocou num ponto importante, estamos inseridos nesse meio, embora achamos que podemos passar impassíveis a muitas das coisas que somos expostas, as vezes, esse “lado negro da força” nos atinge, hsahusaahu.

    Putz eu adoro o Drummond, não acho o Rosa do Povo para deprimidos (mas isso é uma questão de ponto de vista), na verdade, acho que a poesia é sempre libertadora! Os homens precisam de pão e poesia (alguém disse isso, só não me lembro quem)husasahuhuas.
    Se você estivesse lendo Dostoieviski, Kafka, acharia mais lúgubre e adequado a depressão, uhauahshua.

    Você tem skoob?

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    • É na mesa do bar que estão os grandes filósofos! E sim, a poesia é libertadora, mas essa libertação é amarga. Se fosse doce, teríamos pessoas menos inertes. Porque a inércia, sim, é açucarada, quase um melado.

      Se eu estivesse lendo Dostoiévski ou Kafka, já teria cortado os pulsos, certeza (se bem que estou lendo Nietzsche, então tirem as facas de perto de mim!). Mas Drummond é também muito ácido, crítico, pessimista. E de pessimista já me basto! Sou demais pra mim mesmo haha.

      E ah!, meu Skoob: http://skoob.com.br/perfil/thyagosantos. Só não julgue minhas leituras passadas. Tem algumas tranqueiras!

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  3. uhsauhasuhsauhsauh
    A poesia é sempre uma forma de expressar o que mais de fundo possuímos, embora seja uma explicação bem comum essa é a bem da verdade! Poesia é o tipo de coisa que demanda mais que a mera leitura mas a absorvição de cada palavra…
    O Ricardo te influenciou com o Nietzsche?huashuashu O bigodudo era bom, mas muito pessimista, adequado talvez, ao momento deprê em que você está! Mas logo a depressão passa, felizmente, tudo na vida passa, se não passar também, crie teorias loucas e fica tudo resolvido!huahusahusahsau
    Para ler coisas mais felizes leia a poesia do Mário Benedetti, que em síntese é bela, doce e profunda!Ou leia qualquer coisa de realismo fantástico latino americano vale a pena!

    Vou te adicionar no Skoob e vou prestar atenção se você pode ser considerado uma pessoa de credibilidade, se tiver os 50 tons de cinza, pode ser que não te adicione!uhsahusa

    ps: Drummond é aquilo que você falou, mas ainda acho, que o minerinho tinha sempre em vista uma corda fininha da esperança!

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    • Sim, o Ricardo que me trouxe para esse mundo de treva hahaha. Ah, Mário Benedetti, mais um que já ouvi muito falar, mas que não corri atrás. Há tanto para se ler! Queria ter aquela leitura dinâmica do Etevaldo (nossa, estou velho!).

      “50 Tons de Cinza” não vai ter, mas meu passado não é lá muito imaculado haha.

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