Eu, comigo

Depois de quatro finais de semana trancado em casa ruminando minha depressão, resolvi que era hora de tomar um banho, ajeitar a barba e ver o Sol (e que Sol, cacete!). Peguei o carro, joguei umas roupas na mochila e fui. Foi a primeira de várias viagens que quero começar a fazer. Concluí que tenho pouco tempo e muita coisa pra conhecer.

Como decidi de repente, fui para um destino conhecido, em que sabia o que fazer e onde ficar. Um hostel em São Sebastião, quarto compartilhado. Mas, o mais importante: sozinho. Nunca tinha viajado sozinho antes. Ou tinha gente comigo ou no lugar para onde estava indo. Desta vez não. Eu precisava (e ainda preciso) ficar sozinho.

Confesso que tive um pouco de medo. São bem umas 2 horas e meia pra chegar (sem trânsito) e temia que fosse ficar entendiado ou solitário demais e quisesse voltar. Tentei não pensar nisso, liguei o som, acendi um cigarro e estrada. Estrada linda, a Rio-Santos, mas chata. Levei 3 horas e cheguei que nem um pinto molhado de tanto suor.

Já me encaminhei pra praia. Tomei uma cerveja, vi aquele mundaréu de guarda-sóis, gente bonita pra todo lado, o mar muito azul e bravo, querendo afogar os desavisados. Me senti bem. Consegui controlar minha fobia de ficar sozinho. A verdade é que sou bastante dependente das pessoas. Não gosto de ficar muito tempo só. Meus amigos não entendiam quando eu reclamava dos meus pais terem ido viajar por uma semana. Vai ver é por isso que dava festas e levava belas broncas.

Como estava em quarto compartilhado (primeira vez também, foi um rolê bem “inédito”), conheci uma galera. Dei sorte. Todos os caras eram gente boa, inclusive o chileno e o argentino, mesmo não entendendo nada do que eles falavam. Foi bacana mesmo. O único porém é que os caras logo me apelidaram de “Fiuk” e passaram a cantar uma música do Fábio Jr. toda vez que eu entrava no quarto.

Aconteceu bastante coisa em pouco mais de 24 horas. De noite foi quase todo mundo pra balada, que estava 120 mangos só pra entrar, e eu fiquei no hostel mesmo. Lá tinha bilhar e caipirinha de Sagatiba a 8 reais. Não precisava de mais nada. E o “DJ” fez questão de colocar um som pesado pra tocar. Não imaginei terminar a noite ouvindo Deep Purple. Estava crente que ia dormir com “Ah lelek lek lek” retumbando na cabeça.

Domingo é aquele dia deprê. Todo mundo foi embora meio-dia e eu fiquei sozinho. Acordei bem, ressaca zero, então ainda deu pra pegar uma praia e ir embora com a bunda salgada. Peguei 5 horas de trânsito pra chegar em casa, fiquei puto, mas o saldo foi positivo. Vi que sou capaz, sim, de viajar sozinho. Que sou capaz de fazer amizades (acreditem, sou tímido pra caralho). E o que importa: que acordei pra cuspir e quero conhecer tudo o que puder.

Tempo e dinheiro são curtos, mas e daí? Passo cinco dias por semana sentado na frente do computador. Prometi a mim mesmo que, a partir de agora, nos outros dois dias que me restam não farei o mesmo.

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