Damas

“[…] Ninguém a tomará por uma dama; ela é traída pelo fulgor cínico dos olhos, pelo ar sensato e previdente. As verdadeiras damas não sabem os preços das coisas, gostam das belas loucuras; os olhos delas são belas flores cândidas, flores de estufa”.

Às favas com as mulheres de pompa! Meu apreço às que se desprendem, que são livres e se quedam por homens também livres! Já foi minha, certa vez, uma verdadeira dama. Asseguro-lhes: é vida! Só quem amou e foi amado por um coração belo, de asas leves, pode compreender.

Deixo, portanto, minha admiração. Você fez de mim mais humano e grandioso, ainda que apenas aos seus olhos. Roubou minh’alma em um instante, mas não consigo tirar-lhe de mim mesmo depois de tantas luas. Não sei se um dia me verei entregue por outro olhar oblíquo e dissimulado como o seu.

Aos meus iguais, irmãos que se perdem por vícios estúpidos de beleza e carne, que antes tiram dos bolsos os presentes que deveriam vir do peito esquerdo, que tratam e se deixam tratar como vitrines febris e doentias: acordem desse sono vil! Não verão, desta forma, o verdeiro espectro da juventude florescer nos olhos delas.

Deste torpor que me consome, saudade insone, desconheço rotas de fuga. Mas não importa. Por ter entrelaçado meus dedos nos dela é que agora sei de que é feito o amor.  Por ter tido aquela menina é que agora sei que todas as outras foram placebo.

Verdadeiras damas, ergam-se! É de vocês que os homens valorosos (e os nem tanto) precisam.

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