A boa rotina

O hábito de escrever tem se esgueirado e me tomado aos poucos, com cada vez mais força e insistência. E como gosto disso! Tenho ficado incomodado de passar alguns dias sem produzir. Dá uma comichão, uma coisa estranha. Eu criei uma necessidade, um vício, uma cobrança. Ninguém me pede para publicar. Nem meu parceiro de blog. É pessoal. Mais pessoal impossível.

Gosto das inspirações que vêm de supetão, abruptamente, que me pegam desprevenido, dirigindo, no metrô, tomando banho. São as melhores, é verdade. É raro saírem textos bons quando sento e me obrigo a escrever. Não que não existam. Tenho um ritual que ajuda, que dá um empurrãozinho na criatividade. Ou pelo menos imagino que dê (é placebo, muito provavelmente).

Primeiro, acendo um cigarro. Enquanto o pulmão sofre, a cabeça trabalha. Depois, abro uma cerveja. Se depois de uns três goles as palavras ainda estiverem emperradas, eu desisto. Não adianta forçar. Escrever sem vontade é tão prazeroso quanto transar sem vontade: você pode até conseguir terminar, mas o processo e o resultado serão uma merda.

Uma coisa que muito me incomoda nos insights é que nunca conseguimos transmiti-los com exatidão pro papel. Já notou isso? Você tem uma ideia formidável, corre para pegar o que tiver pela frente para anotar e mesmo assim não sai aquilo que você esperava. Eu acho que tem a ver com a velocidade com que nossa mente trabalha. Não dá pra acompanhar. Quando você alcança o computador, o celular ou o papel, sua cabeça já está muitas casas à frente. Não adianta.

Preciso voltar a carregar um caderninho. Enche o saco, é um estorvo, mas na hora do “eureka!” é o mais útil. Ultimamente, tenho recorrido ao celular. E como é ruim escrever em uma tela touch! Por mais habilidade que eu tenha (e digito rápido, acredite), ainda prefiro um bom lápis ou um teclado de verdade. De qualquer forma, deixei de acreditar que vou lembrar do insight depois. Já perdi muitos textos fazendo isso: a ideia vinha, eu anotava só um tópico e esperava chegar em casa pra escrever. É óbvio que eu não escrevia porra nenhuma.

Gosto, enfim, dessa nova necessidade. E não sou hipócrita ao dizer que faço por mim mesmo. Este blog tem pouquíssimos visitantes para eu me comprometer dessa forma, por audiência. Claro que gosto de ser lido. Quem não? Mas produzo em primeiro lugar para sanar uma “fome” própria. Talvez por isso também não estejamos fazendo tanto sucesso, né? Não falamos o que as pessoas querem ler. Falamos o que queremos que as pessoas leiam.

Agora só preciso estender esse vício a outras áreas. Quem sabe um dia eu não fico “viciado” em me exercitar? Ou então “vidrado” para comer muitas frutas e legumes? Ou ainda “na fissura” para NÃO fumar um cigarro?

Ok, exagerei. Melhor eu ficar por aqui antes que eu tenha que colocar este texto na categoria “Devaneio”…

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