Compaixão

A chuva caía fraca e espaçada, enquanto ela, deitada, olhava pela janela. O olhar vazio, perdido, concentrada apenas em sua capacidade de deixar a sua mente vagar livremente. Sento do lado dela e, sem pedir permissão, aperto forte a sua mão. Sua respiração é hostil, apesar de calma, uma violência interna está pronta para explodir. Mas não explode. Ao invés disso, ela solta um grito de desespero com seus olhos, uma respiração amedrontada pela boca. Eu percebo um medo indefinido, disfarçado, disforme, tão grande que me dói. Me machuca profundamente. Quanto desespero essas dúvidas que viajam em cabeça e se chocam com seus ideais devem carregar? Quanta dúvida há no mundo que ela sempre conheceu, agora desacreditado? Tento encontrar palavras que a acalentem, frases que a confortem, mas fracasso. Choro fácil. E chorei, enquanto observava e sentia o desespero da moça, as minhas lágrimas caíram involuntariamente. Não consegui controlar, era forte! Mas ela não. Ela podia se controlar. Apesar de toda a angústia e o medo que sentia, ela tinha total controle de seu exterior. Era forte! Nesse momento pude descobrir e ainda experimentar o amargo e nutritivo sabor da compaixão dos fracos.

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