O pequeno hipster cresceu

Sempre fui do contra. Ou melhor, incomum. Ou melhor ainda: hipster. Lembro de ter uns 8 ou 10 anos e ficar discutindo por horas com meu primo quem era o melhor super-herói. Eu sempre fui doido pelo Batman, ele (e todo mundo), pelo Superman. O meu Power Ranger preferido era o azul, eu adorava o Scar (foda-se o Mufasa!) e meu desenho favorito era “Alice no País das Maravilhas”. Eu também nunca escolhia o Ryu ou o Ken, mas o Sagat. Sub-Zero, Liu Kang? Jamais! Meu negócio era o Sektor. Futebol? Pff! Aqui é basquete! Enfim, acho que consegui dar uma ideia do porquê do “hipster”. Mas acredite: era autêntico. Não tinha como não ser, aliás. Crianças são autênticas.

Esse gosto “diferente da maioria” se estendeu para outros campos, mas onde ele fez (e faz) mesmo a diferença é quando se trata de mulheres. Desde quando comecei a me sentir atraído pelo sexo oposto me lembro de olhar para as meninas nas quais (quase) ninguém reparava. Isso tomou mais forma na adolescência, quando eu não estava nem aí para as gostosonas com corpo de 20 e RG de 14. Meus amigos não entendiam por que eu não “pagava um pau” naquela morena, ou então na loira da série seguinte. Ou mesmo nas celebridades que faziam a cabeça da molecada na época. Eu simplesmente não ligava. Obviamente que eu reconhecia o potencial delas e jamais recusaria uma oportunidade se a tivesse, mas não era nelas que eu pensava quando ia ao banheiro.

Não mudei. Continuo não vendo graça nenhuma nas panicats. Ou mesmo em nomes menos musculosos, como Scarlett Johansson. Juro, não vejo nada demais. Jessica Alba? Grande merda! Mas, se você falar em Anne Hathaway… (suspiro). Ou então em Emma Watson… (eu sei, é a Hermione, mas pra quem foi chamado de Harry Potter a vida toda não é tão doentio). Como você deve imaginar, sou completamente incompreendido entre meus amigos. “Viu a Juju Salimeni? Porra, gostosa demais!”. Minha expressão é a do mais profundo desgosto quando ouço esse tipo de coisa.

No fim, gosto não se discute, eu sei. Assim como idolatro meninas de jeans e All Star e dispenso as de salto alto e silicone, sei que tem mulheres que gostam dos magrelos e sedentários (tem que ter. TEM QUE TER). Só acho curioso eu nunca ter encontrado um homem sequer que compartilhe plenamente dos meus gostos. Será que minha queda pelas “meninas que ninguém olha” é porque ninguém ME olha? Psicólogos, é com vocês! De qualquer forma, sou feliz no meu nicho, apesar das oportunidades bastante escassas.

A verdade é que os opostos NÃO se atraem. Gosto de um tipo X de mulher porque sou um tipo X de homem. Esse negócio de nerd andando com panicat não existe (exceto na “Sessão da Tarde”). E isso vale para as amizades também. Você atrai o que te agrada, simples. Durante muito tempo, imaginei que eu estava errado em ter essa opinião “estranha” acerca das coisas. Me sentia um deslocado, tentava me colocar no meio das conversas, das situações, dos grupos. Me debatia para voltar pra água junto dos outros peixes. Hoje sosseguei. Uma porque achei, em grande parte, meu lugar. Outra porque não tenho mais saco pra isso. Você vai ficando velho e deixa de se importar com o que as pessoas pensam.

No mais, um pedido: se um dia você me ouvir falando da bunda da Juju, puxe o gatilho. E mire na cabeça. O que estiver dentro dela já vai estar podre mesmo.

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