A carta que recebi dela

Oi.

Vim falar com você. É, você mesmo. O que você pensa que está fazendo? Não, não me olhe assim, com essa cara de espanto. É uma pergunta direta, clara e o pior: recorrente.

Eu te pergunto a todo tempo o que você está fazendo e você nunca me responde. O que você está fazendo com esse copo na mão? Com esse cigarro na boca? Com esse livro de genética? Genética, porra! Pra que você está lendo isso?

“Estou lendo. E só”. É isso que você me responde, quando para de me ignorar. Mas você não vê que não é o suficiente? Eu preciso de motivos, de explicações, de metas, de objetivos! E tudo que você faz é me responder (quando responde) “só estou lendo”, “só estou bebendo”, “só estou x”. Só estou nada! Ninguém “só” está vivo!

Eu ando te pressionando demais, é? Você está se sentindo acuado, é isso? Estressado, cansado da minha “perseguição”? Pois saiba (e anote isso) que vai ser sempre assim. Quero dizer, pelo menos enquanto eu conseguir te manter na linha.

A propósito: você nunca se ligou muito disso, não é? É você que me comanda, na verdade. É bem difícil você me tirar daqui, mas se você quisesse, conseguiria. Ok, você consegue às vezes. Principalmente quando não para no primeiro copo. Ou na primeira garrafa.

As pessoas, inclusive você, costumam me tomar apenas como sinônimo de “Ah, eu estava errado. Que remorso!”. Mas não sou só isso, não. Eu é que dito quem você é, sou a própria concepção da sua existência. Sem mim, você não sabe o que é e nem o que está fazendo. OPA, PERAÍ! Você não sabe mesmo comigo aqui!

Eu sei que é foda. Que você é jovem (e eu também, claro). Mas e aí? Vai ficar nessa? Você falava mais comigo antigamente, quando era moleque. Agora que é um “semi-adulto” fica brincando de me ignorar. Você não vai longe assim, não! A gente precisa sentar e conversar. Sério. E nem começa a bufar!

Olha, por mais que não pareça, eu só quero o melhor pra você, cara. De verdade. Afinal, eu estou nessa contigo. O que você faz é da minha conta, SIM. E eu não sou tão careta quanto pareço. Eu sei que é preciso também fazer por fazer, viver por viver, andar por aí por… andar. Sei que você precisa disso. E eu também! Imagine só se você fosse completamente pilhado como eu sempre peço? Ia ser um inferno!

Tudo bem, tenho que admitir que fazemos uma boa equipe. Mas, sem comunicação, vamos fracassar. Não precisa ser tudo do meu jeito, mas também não pode ser tudo do seu! O problema é: eu não tenho como impor nada. Só te beliscar, te incomodar. Sabe esses sonhos estranhos e absurdos que você anda tendo? De nada, viu? Tenho bastante trabalho para editá-los.

É isso. Eu acho. Por enquanto. Estou tentando te dar um sacode. E olha que louco: você é que está escrevendo o que estou te ditando. Se eu quisesse ser bem maldosa, eu diria que você é só um pedaço de carne e eu é que sou o cérebro da parada. Mas sei que não é bem assim. É quase isso, mas não EXATAMENTE isso.

Com carinho (e alguma raiva),
Sua Consciência*

*Ou id, eu-lírico, alma, espírito, mente… me chame do que você quiser, mas chame! Estou aqui. Matando um leão por dia para ser ouvida, mas aqui.

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