Uma Lição de Discriminação

O ano é 2006 e Annie Leblanc é professora na escola Saint-Valérien-of-Milton, em Montérégie, Quebec, Canadá. Dá aulas no terceiro ano do ensino fundamental. Portanto, para crianças de 8 a 9 anos. Com autorização dos pais e do conselho escolar, ela vai submeter os pequenos a uma experiência (assim ela espera) inesquecível.

De forma breve (até porque o vídeo é bem explicativo): dividindo os alunos em dois grupos, Annie quer fazer com que eles sintam na pele o que é e como toma forma a discriminação. O ponto de partida para a divisão das crianças? A altura delas. Parece um motivo randômico e absurdo, não? E é! Toda discriminação, aliás, tem como pilar razões disparatadas. Eis a “inspiração” da professora.

O experimento pode parecer, à primeira vista, furado. Mas ele não só é bem embasado como é mais um entre outros tantos que já foram realizados desde a década de 1960. O expoente e pioneiro psicólogo Henri Tajfel foi quem deu o pontapé inicial nos estudos sobre discriminação e identidade social.

Entre os trabalhos similares ao de Annie, há um que foi um importante catalisador para que ela resolvesse fazer sua própria análise: o documentário de 1968 “Olhos Azuis” (“The Eye of the Storm”), da também professora Jane Elliot.

Abaixo deixo somente o documentário de Annie. Mas recomendo, além do trabalho de Jane, o média-metragem “A Onda” (“The Wave”), de 1981. Há também uma versão mais recente, de 2011, que foi para os cinemas, mas a essa não tive oportunidade de assistir ainda.

Bom, se os alunos da Saint-Valérien vão se lembrar por muito tempo do que passaram, não podemos ter certeza. Mas posso assegurar que eu, pelo menos, não vou esquecer tão cedo. E nem você, eu espero. Vale os 42 minutos. Cada segundo deles.

Anúncios

5 comentários sobre “Uma Lição de Discriminação

  1. Tem esse vídeo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=VT3wKbBNo64 que foi o único que encontrei com legendas em português, de uma pesquisa de psicologia social bem famosa, do Stanley Milgran. Essa pesquisa é um excelente contraponto ao doc ” Uma lição de discriminação”, porque aceitamos tão bem a autoridade e a obediência? ( por exemplo, tem uma parte do doc que a professora diz que gostaria, que os alunos tivessem levado até a diretoria a sua frustração, mas porque não o fazem? Porque ela é a professora, alguém hierarquicamente superior, e por isso não querem contrariá-la).

    Outra coisa é o valor da “ciência”, e o valor que atribuímos a ela.

    Curtir

    • Conhecia essa experiência, mas nunca tinha visto o vídeo. É absurdamente perturbador. Só não acho que seja um contraponto ao trabalho de Annie Leblanc, mas sim um reforço ao que ela mostra no doc. Como você disse: as crianças não seguiram adiante na delação por estarem lidando com uma autoridade. E o que mais impressiona no caso de Milgram é que ali não eram crianças.

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s