Há sombra na luz e há fumaça na sombra

Quando a sombra te rodeia, a luz no centro, mesmo próxima, perde força. Os olhos ofuscados pelo brilho já não choram mais. O cheiro de fumaça preenche o ar, antes puro. A convivência com a luz mostra o seu ônus. A sombra cai em sua volta, em uma pesada penumbra intransponível. Não há volta, acostume-se.

Da penumbra é possível ouvir vozes, roucas, cansadas: “Desista. Desista antes que cheguemos perto de você. Desista, queremos você aqui, perto de nós”. Como se contentar com um pequeno círculo de luz solitário, quando há hectares de sombra e fumaça? Quando há liberdade? Quando há conversas fáceis e olhares complacentes? Como se contentar?

Você é seduzido, tenta adentrar a penumbra, mas a fumaça queima, a sombra arde. “Não é cômodo. Não é possível! Como eles conseguem suportar viver nesse lugar?”. Um detalhe chama a atenção: o teto é extremamente baixo, uma pessoa mal caberia em pé naquele lugar. Você recua, volta para o seu pequeno círculo luminoso. As vozes calam.

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