Temor paulistano

Voltava pra casa depois de mais um dia absurdamente enfadonho. Parei no farol da Vergueiro com a Tancredo Neves. Fazia um frio filho da puta, mas eu estava terminando o cigarro.

Um motoqueiro parou ao meu lado. Depois de um momento, ele se aproximou e falou alguma coisa. Meu sangue ficou gelado no mesmo instante. Em uma fração de segundo, eu já pensava em como tirar a carteira e o celular do bolso sem que ele se assustasse e me desse um tiro.

Abaixei o som do carro e olhei pra ele. Ele repetiu, com aquela entonação de quem quer ser entendido: “Porra, aí é bom!”. Levei alguns segundos para entender que ele falava da minha música. “Ah… sim! É foda!”.

Ele deu um sorriso e saiu zunindo na CG. Eu voltei o caminho todo num torpor misto de alívio, alegria e incredulidade. Afinal, não fui assaltado, existe amor em SP e o cara também era fã dos Beatles.

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