O apartheid brasileiro

Nos últimos dias, tenho sentido um cheirinho de Terceiro Reich no ar. Não que ele já não estivesse circulando por aí antes, sempre esteve, mas agora ninguém está tentando disfarçar com Gleid. Os “rolezinhos” fizeram aflorar os pequenos Führers da internet.

Ação e reação, não é? Se jovens da periferia estão fora de seu “cercadinho”, temos que tomar uma atitude! Que fazem aqui, nos incomodando em nossas mecas do consumo? No MEU Outback? No MEU Starbucks? Ora, cadê a polícia para nos defender desses “potenciais meliantes”?

Sem violência, vandalismo, roubo ou qualquer tipo de crime para impedir, a polícia chegou. E chegou do jeito que mais gosta, com “munição elastômera”, nome bonito para o famoso balaço-de-borracha-na-orelha-de-favelado.

Mas a coisa fica pior, bem pior. Pois eu queria poder culpar a polícia. Contudo, ela cumpre ordens, inclusive as inconstitucionais. É, com LIMINARES, shoppings conseguiram passar por cima da lei 7.716/89, contra crimes de preconceito ou discriminação racial (isso sem falar no artigo 5º). Agora só entra quem tiver cara de classe média (e não a “nova classe média”, que classe C ainda é tudo pobre!).

Daí é nessa hora que você senta (do lado de fora) e chora: a JUSTIÇA legitimou o novo apartheid, o da classe social (afinal, branco pobre também não rola). Que se foda a lei, ninguém que ouve funk vai entrar no meu estabelecimento! Tênis colorido? Rapaz, suma da minha frente e só volte com um sapatênis!

Ah, a paz e o sossego das “pessoas de bem”! O direito inalienável de ir e vir sem topar com vagabundos com menos de 100 reais no bolso! Porque é claro que meu filho (também menor de idade, sem emprego e com seu grupo de amigos) é diferente! Ele… ele vai lá para consumir, não para badernar! Ele… olha, ele mora em Higienópolis, ok? Ele estuda no Dante Aligheri!

É… eu sei o que tem embaixo do seu bigodinho neste momento. Um belo sorriso, não? E é pra ter mesmo! A limpeza étnica e social que você começou não foi esquecida, não! Só brevemente interrompida. Fique tranquilo que ela ainda dá as caras quando é mais necessitada. E dá as caras com cassetete e tudo, não fica mais só no preconceito velado. Estamos voltando aos tempos áureos!

Só é triste que essas pessoas ainda possam entrar e sair livremente dos campos de concentração (hoje chamamos de “comunidades”) e que, para eliminá-las, a SS… ops, a PM tenha que fazer isso escondida. Mas isso vai mudar, não se preocupe. No ritmo que está indo, logo os Amarildos serão executados via pay-per-view.

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