O belo ou o nobre

Todos temos duas faces. A que damos a tapa e a que damos a ver. Sentimo-nos envergonhados de deixar expostas nossas cicatrizes. É um atestado de que já não somos puros, mas castigados e tristes, repletos de traumas e receios. Por isso criamos uma bela máscara. Uma máscara incólume.

Mas por que temos de aparentar perfeição? De onde vem a ideia de que a dor e suas chagas são motivo de vergonha? Será que é por elas mostrarem o quanto falhamos? Quantos erros cometemos? O quão fracos somos? Nenhum homem quer transmitir fraqueza…

Ainda que seja verdade que nossas feridas são atestados de fracasso, sua inexistência é sinal de imaturidade. Não existe nobreza sem sofrimento. E, com ele, a beleza se esvai. O belo, portanto, jamais será nobre. Tampouco o nobre, belo.

E como teimamos em sempre buscar o que é bonito! Em nós e para nós. Mostramos a face limpa e queremos o mesmo dos demais. Que vida nefasta! E mais: estúpida! Já sabemos se tratar de uma ilusão, mas ela é tão doce na casca que mordemos sem pensar no amargo recheio.

Cansei-me desta roda cruel. Não escondo mais meus tormentos, não enfeito mais meu passado. Se serei amado, que o seja pela verdade, e com ela toda a angústia que vier. Pois sou melhor na face ferida. Todos somos.

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