Da força do olhar

Durante toda minha vida, sempre fui o primeiro a desviar o olhar. Fosse ele dirigido a homens ou mulheres. Sempre fui o primeiro a baixar a cabeça, a desistir de fitar aquela garota encantadora ou aquele cara insuportável.

É como naquela brincadeira de ficar sério. Eu era sempre o perdedor. A causa? A causa e a consequência são as mesmas: a timidez. O já tímido Thyago foi ficando cada vez mais arisco com o passar dos anos.

Até que, no fim da adolescência, as coisas mudaram. Passei a me vestir melhor, a usar lentes de contato, a cortar aquele cabelo de morador de rua. Arrumei até minha primeira namorada de verdade.

Passei a ser capaz de encarar as pessoas. Ainda “perdia” muitas vezes, mas também “ganhava”. Curiosamente, porém, havia dias em que eu só perdia. E não por coincidência eram os dias em que eu estava me achando feio, mal vestido.

Foi então que percebi: a minha “coragem” era toda construída sobre minha aparência. Eu não tinha alma nenhuma no olhar. Eu era só um manequim.

De uns tempos pra cá, contudo, muito mudou. Perdi tantas coisas que me eram caras que essas banalidades, como a aparência, ficaram não em segundo plano, mas em décimo.

Já faz muitos e muitos meses que não desvio o olhar. De ninguém. Vai ver os meus “adversários” se intimidam ao verem nele muita força, muita determinação. Ou, o mais provável: ao verem muita dor.

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