Aragonés

Foi há 12 anos, quando comprei minha primeira MAD, que conheci o trabalho de Sergio Aragonés. Daquele momento em diante, esse cartunista espanhol passaria a ser o meu favorito incontestável. E olha que ele tinha “adversários” de peso, como Antonio Prohías, Dave Berg, Don Martin e Al Jaffee – outras quatro lendas dos quadrinhos.

Aragonés nasceu na Espanha, em 1937, e ainda pequeno se mudou para o México com a família, em fuga da guerra civil espanhola, que assolou o país de 36 a 39. Desde quando aprendeu a segurar um lápis, ele já demonstrou paixão pela arte. Na escola, quando os professores pediam alguma ilustração na lição de casa, Aragonés era assediado pelos amigos. Ele vendia sua habilidade por alguns centavos aos colegas que não tinham lá muito talento ou paciência para desenhar.

Aos 25 anos, em 62, o jovem espanhol-mexicano resolveu adicionar mais uma nacionalidade à sua lista e se mudou para os Estados Unidos. Chegou em Nova York com 20 dólares no bolso e um portfólio com seus desenhos. Foi bater na porta da MAD, na Madison Avenue, sem falar quase nada de inglês. Os editores gostaram do que viram e Aragonés virou contribuidor da revista, em 63. Não saiu mais. Já faz 51 anos que ele desenha para a MAD.

Claro que ele não passou cinco décadas desenhando apenas para a MAD, mas foi ela que lhe abriu as portas, tornando-o conhecido pelas sátiras “A Mad Look At…” (em português, “MAD vê…”), tirinhas que ironizavam as mais diversas situações, personalidades, países, enfim, QUALQUER coisa. A partir do renome que conseguiu, o cartunista pôde lançar seu mais famoso trabalho fora da revista: “Groo, The Wanderer” (“Groo, o Errante”).

Bom, depois dessa breve biografia, na qual nem vou incluir os diversos prêmios que ele ganhou, vamos ao motivo de eu falar de Aragonés: o cara tem o humor mais refinado e inteligente que eu conheço. Explico: as tirinhas na MAD, que representam seu maior legado, não têm qualquer balão de fala. NENHUM. E por que isso é importante? Ora, fazer humor já é difícil. Fazer rir apenas com desenhos é ainda mais. Não conheço outro cartunista que faça o mesmo. O cara é um gênio, simplesmente.

Aos 76 anos, Aragonés continua trabalhando. E rápido: o espanhol é considerado o cartunista mais veloz do mundo. Ele lembra da história dos desenhos vendidos aos colegas de escola: “That’s probably why I draw so fast, because I drew so many of them”.

Abaixo, deixo um vídeo do programa “Metrópolis”, da TV Cultura, que dá um resumo do já resumido texto acima (caso você tenha pulado direto pra cá e não tenha lido nada por preguiça – o que eu entendo).

No fim, o recado é: se vir algo do Aragonés por aí, compre. Vale a pena. E, se não gostar, me dê.

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