Parênteses

Um mero parênteses em meio a uma frase de efeito, forte, cheia de significados. Transborda ironia – como um pensamento ousado que escapou ao papel por um descuido do autor -, é fria e calculista. Uma lufada de jovialidade em meio àquele clima austero e compromissado com a “verdade”.

Qual seria a função desses parênteses, sua frase e suas letras? Explicar, indagar, questionar, dar outro sentido, incomodar, colocar em dúvida, adicionar? Pra mim: incomodar.

Como dois pequenos caracteres – e claro, a frase que repousa dentro deles – me incomodou. Todo o texto principal se dissipou. A concentração se foi, a dúvida toma conta e já não existe mais ideia principal, já não há função em todo aquele texto. Quanta ousadia nesses parênteses, quanta pretensão!

Por que ele fez isso? Seu criador não deveria imaginar quão prejudicial esse parênteses seria ao seu texto, como ele, facilmente, roubaria a cena. Certamente não imagina quanta angústia ele traria ao leitor que apenas procurava um conhecimento mais aprofundado sobre um tema específico. Poderia, com toda certeza ser eliminado, o texto nada perderia com sua inexistência.

O leitor já deve se perguntar o que teria de tão especial nesses parênteses: como uma ideia entre parênteses pode incomodar tanto? Tão simples, aos berros questionava, por meio de sua tinta preta, fonte Times New Roman, tamanho 12:

(e se não der certo?).

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