O dia em que saí comigo

Dias atrás tive uma das mais bizarras (e interessantes) experiências da minha vida. Sonhei que estava “dentro” da primeira menina que amei, e vi por meio de seus olhos nosso primeiro encontro. Ou seja: me vi de frente, acompanhei cada gesto meu.

E tudo que se passou no sonho aconteceu de fato na vida real. Foi uma reconstituição perfeita, que segue abaixo sob a ótica daquela garota (ou sob minha ótica dentro dela).

Veio me buscar em casa. Solícito, me esperou fora do carro. Quando me aproximei, me olhou brevemente nos olhos, mas logo desviou. Me cumprimentou de forma meio desajeitada, não sabia se beijava minha bochecha ou se só fazia aquele barulho irritante. Beijou.

No carro, estava mais desenvolto. Falava bastante, parecia evitar a todo custo o silêncio. A mãos seguravam firme o volante, como que tentando disfarçar o tremor (que ficava nítido no trocar das marchas). O olhar? Sempre fixo no trânsito.

No bar, a estratégia de não deixar o papo morrer segue em curso. Tal como sua dificuldade em me olhar nos olhos. Sem volantes para agarrar, suas mãos passeiam inquietas sobre a mesa, brincando com o saleiro e despedaçando guardanapos. Está nitidamente tomado pelo nervosismo. E a ciência disso o torna cada vez menos capaz de controlá-lo.

A certa altura, pede licença para ir ao banheiro. Demora. Quando volta, senta-se mais perto de mim. Não sabe o que dizer, se perde com as palavras que há pouco dominava tão bem. Sua timidez é tão latente, tão gritante, que ele parece até assustado, com medo do que pode acontecer a seguir.

É curioso como ele fala sobre qualquer assunto, como domina qualquer tema que não seja aquele que o leva ao que ele realmente quer. Nesse momento, ele trava. Parece um adolescente, é como se fosse seu primeiro beijo.

Enfim ele coloca a mão em meu rosto e se aproxima… venceu a si mesmo. Durante toda a noite, não foi contra mim que lutou, mas contra seus próprios fantasmas – os quais voltarão a assombrá-lo em seu próximo encontro. E nos outros depois desse. Até que ele os tenha expulsado a todos.

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