Experimente: Sido

Mesmo sem entender uma palavra, gosto muito deste som. Diretamente da Alemanha, apresento-lhes Sido, nome artístico de Paul Würdig, rapper de notável sucesso em seu país.

Bom, não bastasse eu não saber nada de alemão, ainda me arrisco a escrever sobre hip hop, gênero que domino tanto quanto o idioma germânico. Gosto de uma coisa ou outra: quando moleque, ouvia bastante Racionais MC’s e Eminem. Hoje, me atenho a Emicida e Criolo, basicamente.

Como eu já previa quando comecei minha pesquisa, há pouca informação sobre o cara (pelo menos em português, inglês, espanhol… enfim, em uma língua que eu saiba decifrar!). Vamos ao que eu consegui.

Sido é uma sigla para “super-intelligentes Drogenopfer” (“Vítima de droga superinteligente”). Ele começou a careira há bastante tempo, em 1997, mas só alcançou a fama em 2004, com seu disco de estreia “Maske”. A esse álbum, seguiram-se mais quatro: “Ich” (2006), “Ich und meine Maske” (2008), “Aggro Berlin” (2009) e “30-11-80” (2013).

A infância conturbada num bairro modesto de Berlim deu o tom de suas letras, bastante agressivas e provocativas. Os temas não fogem muito do que já conhecemos: drogas, miséria, gangues, mulheres, dinheiro. Contudo, a predileção de Sido por tais “assuntos” não o impede de rompantes mais sentimentais e melancólicos. A faixa “Ein Teil von mir” (“Uma parte de mim”), que fala de seu filho, é um bom exemplo disso.

Sobre o som, apesar da estranheza em ouvir um idioma que não compreendo, gostei da ideia de um hip hop alemão. Estou tão acostumado com o português e o inglês (quando muito um espanhol) que o choque de uma língua tão diferente me provocou considerável curiosidade. Claro que é trabalhoso ouvir as músicas com o “Vagalume” e o Google Translator abertos, mas vale a pena. E se você liga mais para a batida do que para o que está sendo dito, melhor ainda!

Abaixo, como de costume, seguem mais informações sobre o artista e as minhas três faixas favoritas até agora (já que estou ouvindo os discos beeem lentamente).

Site: http://www.sido.de/
Facebook: https://www.facebook.com/sidomusik
Spotify: https://open.spotify.com/artist/4Yttlv9ndGjCDCVLqM7ACq

A primeira é “Bilder im Kopf” (“As imagens em minha cabeça”), da compilação “#Beste” (2012) . É uma autobiografia. Da infância, que traz boas memórias da mãe e irmã às más do pai ausente e violento. O sonho de ser alguém, que começa a tomar forma com os amigos. Microfone em mãos: a mudança. Mulheres, festas, carros. Tudo guardado num álbum de fotografias.

“Goldjunge” (“Garoto de ouro”), do álbum “Ich” (2006). Mais uma música que resgata a trajetória do rapper, mas sem o bom humor e a leveza de “Bilder im Kopf”. É o começo da fama, do sucesso, e não há modéstia aqui. É a exaltação pura da “volta por cima”, o grito de vitória do moleque pobre e subestimado que agora é sucesso, que agora é o “garoto de ouro”.

Por último, “Augen auf” (ao pé da letra, “Olhos em”/”Eyes on”, aludindo a algo como “De olhos abertos”), do álbum “Ich und meine Maske” (2008). Também inspirada em histórias presenciadas por Sido, fala de como as crianças, sem cuidado e amor dos pais, acabam por se perder. Drogas, violência, abusos, prostituição. Achei o refrão, em coro infantil, particularmente tocante.

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