Da vaidade dos pequenos

Como me impressiona a soberba dos pobres de espírito! Metem-se em não sei que frágil carcaça de superioridade e tentam sobrepujar os demais com um forçado olhar de altivez. Beira a comicidade!

Embrutecidos, tomam todos por tolos, até mesmo aqueles que detêm almas muito superiores às suas. A modéstia é verbete desconhecido em seus já diminutos vocabulários.

É a ironia de semelhante cenário que me provoca riso. Ora, quem por direito poderia gabar-se se mantém silente exatamente por reconhecer que não há motivo para tanto, que a homem algum é reservado o privilégio de se crer maior que seu irmão, ainda que ele, de fato, o seja.

Por que, então, essa gente de infinita pequenez insiste em estufar o peito, tal como uma raquítica e mal ajambrada cópia de pavão? Por que, se estão destinados ao fracasso contundente? A uma vida mesquinha? Por quê?

Eis a razão: são limitados à própria realidade, são cegos para o que há além. Consideram-se já topo de cadeia, quando são presas das mais incautas e inermes.

Quanto mais néscio, portanto, tanto mais propenso ao ataque direto e irrefletido. É gente de trincheira, estudada na arte do insulto. Nāo se poem envergonhados, acham belo o elevar a voz, a truculência gratuita, o embate irracional, distanciado – e muito – de qualquer premissa minimamente fundamentada.

Quando confrontados, são tomados de profunda cólera, e insistem em sua palavra mesmo quando ela já foi empiricamente desmentida, mesmo diante de provas incontestáveis de que estão enganados. Nada, nem a mais pura ciência matemática, pode convencê-los de que estão errados.

Afinal, há salvação? Até mesmo para o mais inveterado dos relinchadores? Sempre há. Contudo, são necessários tanta paciência e tolerância, tanto AMOR, que são pouquíssimos os sensatos capazes de socorrer tais parvos.

Não basta, portanto, deter conhecimento. É preciso ter resiliência para transmiti-lo. E aí jaz o verdadeiro desafio. O homem sábio que é também ufano não se distancia em nada daqueles que chafurdam na lama. É apenas mais um porco. Só que letrado.

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