O choro e o mar

Por Diego Guime

E se eu tivesse ido um pouco além? Talvez ninguém tivesse me impedido. Talvez ninguém tivesse nem visto. Iluminado pelo contorno das luzes do calçadão ao fundo e pelas luzes distantes dos navios, meus pés tocavam a água e as ondas pareciam me puxar até que minhas pernas estavam quase que totalmente consumidas. No escuro, éramos só eu, as estrelas e o mar, junto com aquela sensação de infinito diante do universo que se abre diante de olhos úmidos, romanticamente os fazendo lacrimejar. Ali não existia mais eu. Era tudo e um todo, que se conectavam assustadoramente. Senti um vazio e uma sensação de não fazer parte daquele ambiente, como se a existência fosse um peso muito grande a se carregar. Então olhei o horizonte uma última vez e desisti. Olhei pra trás e ainda tinha espaço. Ainda havia tempo.

Volto à superfície com minhas roupas e documentos encharcados. Volto pra areia, e com ela a realidade. Volto com a certeza de que deveria ter ido um pouco mais além.

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