Voa

Tu poderias ser grande. Se fosses menos covarde, se da manga tirasses coragem, se sem freio te atirasses, como quem voa e disso sabe.

Tu poderias ser grande. Caso não te preocupasses, sempre com tanta intensidade, em ter, ser, mostrar, aparecer, ganhar, consumir, trabalhar, adquirir. Se deixasses pra lá, enfim, tanta insanidade.

Tu poderias ser grande. Não serias o maior, jamais, nunca, esquece, que ideia absurda! Mas serias pouco mais que hoje, algo, alguém, um anônimo, sim, ainda sim, porém mais que ninguém.

Tu poderias ser grande. E te escorre a juventude pelas mãos, suadas, úmidas, trêmulas, às vezes imundas. Talvez até chegue o dia da tua ascensão, quem sabe, só o tempo, que corre lento. Contudo, pergunto, insisto: estarás pronto, menino?

Tu PODES ser grande. Coloca as mãos, agarra, segura, corre, conquista! Tudo pode ser teu, toda esta vista. Espreguiça tuas asas cansadas, atrofiadas, meio mortas, mas ainda vivas. Voa!

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