Endurecer

“É pena ter de ir de encontro aos próprios ímpetos, renegar a própria personalidade, te forçar a ser outro que não tu mesmo.

É pena, mas é necessário. Mais: é premente. Endurece. O mundo é mau. Quantos mais ainda hão de te ferir até que te coloques firme?

Conserva a bondade para quem julgares merecedor. Não há que ser vil, apenas deixa lá de ser ingênuo.

Atenta também para isto: endurecer não é embrutecer. Sê forte, sê duro, jamais bruto. Não te dê a baixezas que teu espírito é por demais excelso para elas.

Entende: tua mão e voz macias já não são benquistas. Tua índole de cordeiro, tua fala pacata, teu olhar romanesco: recolhe a todos, enclausura tua inocência. Nada, nada disso eles desejam.

Chegarão o tempo e o lugar para te abrires. E quando esse dia alvorecer, se não tiveres cimentado sem volta teus sentimentos, haverá quem os abrace sem ressalva. Até lá, menino, endurece”.

Assim falou o velho de olhos fundos e rudes. E então eu despertei. E tomei nota.

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