Primavera concretada

Já são quase 7 anos de Brigadeiro Faria Lima. Ao menos 1.345 dias do mesmo trajeto entre o metrô e o edifício onde vendo 160 horas do meu mês por uma cifra que nunca dura até o fim dele. E só hoje é que me dei conta de um discreto espetáculo encravado já no término desse fastidioso percurso de 350 metros.

Desconheço a espécie da árvore e de suas flores. Tampouco compreendo de onde a flora paulistana extrai forças para vigorar em meio a tanto dióxido de carbono, urina humana e bitucas depositadas às suas raízes. Mas sei o seguinte: sua valentia em florescer, tão espremida entre concreto e aço, me fez estancar no meio da caminhada e fazer o registro abaixo:

Não, esta foto não tem filtro. E Dilma não ficou, infelizmente

Enquanto os apressados transeuntes se esquivavam de mim com visível impaciência e até sonoras bufadas, me permiti gastar 5 minutos para admirar o que via. O ponto eletrônico da firma me cobraria por esse insensato bucolismo mais tarde, eu sabia disso, mas não é sempre que São Paulo te oferece flores em vez de trânsito, cores em vez de cimento. É preciso abraçar essa breve leviandade da megalópole.

Não sou do tipo que costuma bater palmas para crepúsculos, mas admito que abri um largo sorriso. Em uma rotina de eterno atraso, de driblar até mesmo os nobres intercessores de coletes Unicef, ter um momento de pausa é luxo. Quase uma volúpia. E eu queria me esbaldar nessa lascívia antes de me sentar embaixo do ar condicionado, fitar os monitores Dell e preencher planilhas pelas próximas 8 horas.

Sobre o amor eu sigo em dúvida, Criolo. Mas a primavera? Essa ainda existe em SP. Mesmo que concretada.

 

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