Sangue frio

Dentro mora algo, peçonha, que me muda e me mata. Não sou eu, mas é meu. Criei, criou raízes, criados juntos.

Rasteja, puxa, segura, atormenta. Eclode e me faz bicho, ogro. Com fome. De dor. Me perco e perco amados. Naja, serpente, me deixa (ser gente).

Já não posso me desculpar com quem morde(mos). “Ora, se é sua, por que não a doma?”. Ora, dama, porque eu é que sou dela.

Verme, rasteja, vá, longe de mim. Já é tempo. Nada mais me pode tirar.

Antídoto. Que há de cura fora a morte dupla? Inocula ou me corta, que já não tolero dividir cama com sangue frio.

Já não tolero a mim mesmo.

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