A comichão da pré-independência

Há quase uma década, eu entregava minha primeira redação no curso de Jornalismo. Com recém-completados 18 anos, é verdade que eu alimentava ainda muitas ilusões, sendo a mais grave – e hoje risível – delas a de que era possível ganhar um bom dinheiro com o diploma de jornalista. De toda forma, já era latente uma pitada de realismo (ou pessimismo?), aliada a um bom humor do qual sinto falta. Fiquei mais amargo com o tempo. Transcrição abaixo.

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Que alegria senti

Depois do sombrio “Que medo senti”, pensei: por que não revelar um lado um pouco menos soturno daquele mesmo Thyago de 10 anos?  Falando como quem já se achava adulto o bastante para escrever sobre o passado, resolvi relatar um caso curioso que me acometera 5 anos antes. Ou seja, quando eu somava apenas 5 primaveras de vida. (Nota mental: sorte a minha – e de vocês – eu ter deixado toda essa prepotência lá na infância. Do jeito que a coisa ia, não duvido que eu me proporia a lançar uma autobiografia aos 15).

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MMORPG: Mate goblins com moderação

Logo após me formar em Jornalismo, em 2011, achei que seria uma boa ideia engatar uma pós-graduação sem nenhum tempo de descanso. Foi o que fiz. Três meses depois de entregar meu TCC, estava de volta à sala de aula. Como eu deveria ter previsto, a experiência não foi das melhores e acabei trancando o curso.

Mas nem tudo é perda de tempo. Abaixo deixo um artigo que escrevi para uma das disciplinas, que levava o pomposo nome de “Interatividade, Tecnologia e Ubiquidade”.

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Que medo senti

Quando criança, não nos entra na cabeça por que os adultos têm a estranha mania de guardar bem guardado tudo o que produzimos. Qualquer rabisco, qualquer escrito, qualquer homem de palito que nasce da absoluta falta do que fazer (ou de habilidade mesmo). No meu caso, nunca fui um entusiasta das artes plásticas. Logo cedo compreendi que não iria longe com cadernos de desenho. Foi quando tentei a sorte com folhas pautadas – que também não me trouxeram qualquer retorno até agora, mas ao menos não me sinto tão constrangido em espalhar por aí o produto desse hobby.

Bom, eis que um e-mail inesperado do meu irmão me fez compreender, afinal, a importância de se preservar tudo o que for possível quando se trata de produção infantil. Ele me enviou nada menos do que cinco textos, e eu desconhecia a existência de todos eles. Pelo que investiguei, todos datam da mesma época: 16 anos atrás, quando eu completava uma década de vida. Li cada arquivo como se fosse a primeira vez, como se não fossem minhas aquelas palavras. E um cisco caiu no meu olho. Que saudade!

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O começo

Fuçando em caixas antigas, topei com uma folha cujos escritos à lápis logo me chamaram a atenção. A letra de mão, quase ilegível, não deixa dúvidas: é algo de muito, mas muito tempo atrás. E digo isso não porque minha caligrafia tenha melhorado – ela continua ilegível – mas porque eu escrevo em letra de forma desde, sei lá, meus 10 anos.

Não há data, mas posso chutar: acredito que essa pérola foi redigida por volta de 1998, quando eu tinha 8 anos. É, eu comecei cedo. Lembro-me de que escrever era um de meus passatempos prediletos, o que causava estranheza não só em meus amigos, mas também em meus pais. Tenho guardadas, em algum lugar que eu ainda sonho em encontrar, histórias de 20, 30 folhas (ou seja, 40, 60 páginas). E pensar que hoje ando doido para escrever uma narrativa sequencial e não consigo. Minha criatividade parece ter ficado na infância.

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Sem título

Palavras no papel já não mais expressam a falta que tu me fazes, palavras ao vento não te chegam aos ouvidos, e me resta a saudade que vagarosa me dilacera por dentro.

Pensei ter te dito, na aurora daquele dia, tudo que sentia ante teus verdes olhos que me roubavam a voz. E hoje, a cada crepúsculo iminente, a cada brisa mansa que mais parece tua voz a sussurrar, percebo que tinha mais a dizer.

Mas quem de antemão espera os revezes do futuro? Minh’alma padece e a carne não a espelha, mas bem gostaria eu que assim fosse.

Escrito em 2007Para ver mais textos produzidos antes da criação deste blog, use a tag “arquivo”.

Abominável Mundo Novo

A literatura ficcional costuma nos levar a uma esfera distante, imaginária, da qual não nos imaginamos integrantes, afinal, são sempre “nossos netos” os escolhidos para participar desse futuro (nem sempre) promissor. Na maioria dos casos, a ficção científica, no cinema ou na livraria, é exagerada e caricaturada pela excessiva tecnologia que realiza basicamente as mesmas tarefas já conhecidas, apresentando apenas mais sofisticação estética. Entretanto, com o perdão do lugar-comum, toda regra tem sua exceção.

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Prece

Ajuda-me, Pai. Ajuda-me a seguir em frente, a limpar minha mente, a amar minha gente. Olhe, Pai, olhe pelos pequenos que Te amam, pelas belas que encantam e pelos simples que cantam. Cantam Sua glória e louvam Sua história.

Perdoa-me, Pai. Perdoa-me por pedir sem pensar, por pecar sem pesar. Há tanto me pergunto, sempre sobre o mesmo assunto, e nada encontro neste mundo. Tenho vivido sem sentido, sonhado sem ter dormido. Escrevo e não leio, acordo e não creio que ainda nenhuma solução veio. Choro alheias lágrimas, mas não reconheço minhas lástimas.

Forte a carapaça, mas por dentro não há raça. Raça para lutar e mudar, criar e revolucionar. Juventude corrompida de atitudes descabidas, de farsa e de malícia. Egoísmo onipresente, compaixão inexistente, sociedade decadente.

Escrito em 2006. Para ver mais textos produzidos antes da criação deste blog, use a tag “arquivo”.