O belo ou o nobre

Todos temos duas faces. A que damos a tapa e a que damos a ver. Sentimo-nos envergonhados de deixar expostas nossas cicatrizes. É um atestado de que já não somos puros, mas castigados e tristes, repletos de traumas e receios. Por isso criamos uma bela máscara. Uma máscara incólume.

Mas por que temos de aparentar perfeição? De onde vem a ideia de que a dor e suas chagas são motivo de vergonha? Será que é por elas mostrarem o quanto falhamos? Quantos erros cometemos? O quão fracos somos? Nenhum homem quer transmitir fraqueza…

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O caminho

Existe um momento, um único e crucial instante em que você entende que terá de escolher qual será sua subsistência, com o que alimentará sua força para levantar todos os dias da cama.

Apesar de não saber precisar exatamente a hora em que essa “revelação” nos é feita por nós mesmos, sou categórico ao afirmar que temos duas opções: fortalecer o corpo ou a mente.

Pode até parecer, a princípio, que é possível administrar ambos ao mesmo tempo. Não é. Na verdade, é impossível. Se tomarmos como meta a integridade, o ser inteiro, é preciso ter absoluta dedicação.

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Na estrada

Eu conheci cores, sabores, temperaturas, pensamentos, vontades. Passei por ruas, cidades, campos, estradas, montanhas e trilhas. Peguei carona com velhos, com jovens, com problemáticos, normais. Trilhei meu caminho com pessoas, me desvencilhei dos vícios, errei de caminho inúmeras vezes, fiquei sozinho.

Curti o momento, o silêncio, pequei escondido, ninguém soube. Transpus os limites, menti para os outros, enganei minha consciência, inúmeras vezes; errei.

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Turbidez Curiosa

A estreita estrada de terra esburacada se prolonga à frente, ainda é impossível avistar o meio do caminho. Sente seus músculos arderem, suas pernas suplicam por descanso. Seu cérebro precisa desligar urgentemente. Ele precisa encontrar um lugar seguro. Já não controla seus pensamentos, sua mente não está clara. Nada está claro, nunca esteve claro.

Aperta o passo. Por enquanto não pode parar. Coragem. Tenta esquecer da dor, das incertezas, do medo. Dirige seus pensamentos à sua infância. Lembra de como era feliz e não sabia. É claro que não sabia, era apenas uma criança! Não é possível saber o que é felicidade antes da dor, ou o que é a dor antes da felicidade. Pensa como daqui há alguns anos irá repetir a mesma frase: “Eu era feliz e não sabia”.

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Conselho

Muitas coisas mudaram com a recente perda que tive. Opiniões, hábitos, vontades, peso, apetite. Quero falar de uma dessas coisas. Algo que muito me entristecia, mas que agora me abre um buraco no peito, me atormenta, me martiriza: as brigas e discussões inúteis.

Admito que fui a causa da maior parte dos desentendimentos no meu último relacionamento. Me faltava maturidade. Não que agora eu seja um poço de sabedoria, mas estou mais firme. Perdi muito tempo em brigas sem sentido, em orgulho, em besteiras. E, mais que tempo, perdi saúde, perdi paz. E fiz minha então menina também perder.

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