A Viagem de Clarice – Parte V

“O dono da verdade absoluta. Quem ele pensa que é? Existe sequer alguma verdade em nosso mundo? Alguma verdade absoluta?” Clarice questionava a si mesma enquanto o humanoide continuava a falar sem parar.

“Nem sequer sei se o que vivo é real, se o que vivi até agora, em minha vida mundana, pode ser considerado real. Talvez eu seja apenas uma ideia. Uma ideia de existência, e por algum motivo, que ainda vou descobrir, essa ideia que eu “existo” veio parar aqui, nessa realidade paralela, nesse inferno”.

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A Viagem de Clarice – Parte IV

Caminharam por mais alguns metros na estrada em meio a densa floresta até chegarem em um descampado onde avistaram a base da torre, com uma enorme porta negra que dava acesso ao seu interior.

“Clarice, a partir de agora não posso mais te acompanhar. O mestre prefere ficar a sós com os humanos. Entre na torre e procure Dantalion”.

Clarice sabia que não adiantava pedir para que Yin lhe acompanhasse. Assim, se dirigiu até a entrada da torre. Parou em frente a enorme porta negra e leu uma inscrição gravada no rodapé superior: “Uma vida não questionada não merece ser vivida”, lembrou de já ter lido essa frase em algum lugar, sentiu um tremendo medo do que estava para acontecer.

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A Viagem de Clarice – Parte III

Desceram a íngreme escada e Clarice seguiu Yin pelo desértico campo do chamado átrio central.

Clarice pensava no tal Dantalion aflita, imaginava que seria escravizada como aqueles tantos que trabalhavam naquele campo, sendo condenada ao sofrimento eterno: “Será isso que me aguarda? É provável, certamente o inferno não será nada agradável, estou condenada a sofrer eternamente”.

Conforme avançavam, Clarice via criaturas parecidas com Yin, porém mais austeras, açoitando e agredindo os humanos que eram forçados a trabalhar sem intervalos.

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A Viagem de Clarice – Parte II

Ao ouvir a notícia da cadavérica figura Clarice desatou a gargalhar “Claro, agora eu tenho certeza que estou mesmo tendo um estranho sonho. Se assim você me diz, como morri então?”

Yin em uma fração de segundo se materializou em frente a Clarice e encarou-a com seu olhos negros e opacos em meio ao turbante, fitando-a com as sobrancelhas arqueadas.

“Fazia tempo que não ouvia risos nesta câmara. Não sei a causa de sua morte. Há muito que não tenho contato com as trivialidades e os detalhismos do mundo físico e de seu povo, mas vou te levar a um local onde terá mais respostas”.

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A Viagem de Clarice – Parte I

Assim que Clarice abriu os olhos, percebeu que não sabia o lugar em que estava, olhou para o teto rochoso do local e de imediato ouviu um voz grave e rouca ressoar dentro de sua mente.

“Seja bem-vinda Clarice, a sua viagem começa agora. Infelizmente não posso te fornecer muitas informações do lugar onde você se encontra por enquanto; você terá de descobrir sozinha. Mas já te adianto: aqui não é sua casa.”

Clarice levantou devagar, sentia fortes dores nas costas, talvez tenha sofrido uma queda, mas não se lembrava de nada. Sua última recordação foi ter ido dormir após chegar da faculdade ontem, terça-feira.

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