Amém

– Ei, grande! Tu aí! Psiu!

Eu caminhava apressado (como sempre) pelo Largo da Batata, era uma terça-feira fria, feia e atrasada, mas parei e me virei.

– Me diga aí uma passagem da Bíblia!

Sentado sobre um colchonete, pertences por todo lado, ele abriu um sorriso amarelo-avermelhado. Um filete de sangue escorria pelos seus dentes inferiores, e eu tive um calafrio.

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Conversa com Deus

– Então você é Deus? – perguntei, com uma careta.
– Sim. Não gosta do que vê?
– Não, não é isso. Só achei que você era… diferente.
– Assim?
– É, exatamente assim que eu te imaginava! Afinal, qual sua forma verdadeira?
– Não tenho forma. Coloco-me em diferentes aspectos conforme a expectativa de quem deseja falar comigo.
– Então por que não estava de roupa branca e barba quando cheguei aqui? Essa era a minha expectativa.
– Exatamente para que você me perguntasse qual era a minha forma verdadeira.
– Entendo. Onisciência. Mas me diga: estou morto? O que é este lugar?
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Prece

Ajuda-me, Pai. Ajuda-me a seguir em frente, a limpar minha mente, a amar minha gente. Olhe, Pai, olhe pelos pequenos que Te amam, pelas belas que encantam e pelos simples que cantam. Cantam Sua glória e louvam Sua história.

Perdoa-me, Pai. Perdoa-me por pedir sem pensar, por pecar sem pesar. Há tanto me pergunto, sempre sobre o mesmo assunto, e nada encontro neste mundo. Tenho vivido sem sentido, sonhado sem ter dormido. Escrevo e não leio, acordo e não creio que ainda nenhuma solução veio. Choro alheias lágrimas, mas não reconheço minhas lástimas.

Forte a carapaça, mas por dentro não há raça. Raça para lutar e mudar, criar e revolucionar. Juventude corrompida de atitudes descabidas, de farsa e de malícia. Egoísmo onipresente, compaixão inexistente, sociedade decadente.

Escrito em 2006. Para ver mais textos produzidos antes da criação deste blog, use a tag “arquivo”.