Que alegria senti

Depois do sombrio “Que medo senti”, pensei: por que não revelar um lado um pouco menos soturno daquele mesmo Thyago de 10 anos?  Falando como quem já se achava adulto o bastante para escrever sobre o passado, resolvi relatar um caso curioso que me acometera 5 anos antes. Ou seja, quando eu somava apenas 5 primaveras de vida. (Nota mental: sorte a minha – e de vocês – eu ter deixado toda essa prepotência lá na infância. Do jeito que a coisa ia, não duvido que eu me proporia a lançar uma autobiografia aos 15).

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Amizade

– Escuta, escuta! Eu a encontrei!
– Quem?
– Quem não! O quê!
– O quê?
– Ela!
– Ela quem?
– Quem não! O quê!
– Ela o quê?
– A felicidade!
– Mas que boa nova! Fico contente por você!
– Por quê?
– Porque a encontrou, ora!
– Exato. Eu a encontrei, mas não a tenho.
– Pois vá pegá-la!
– É arisca…
– Hm… precisa então de algo que a atraia.
– É o que tenho tentado. E quando eu conseguir apanhá-la, a dividirei com você!
– Agradeço, mas não será preciso. Quando tiver sua felicidade, naturalmente terei a minha.

Sobre a felicidade

Aprendo, a cada dia, a “olhar de cima”. Como bem pontua o texto “Amenizando a Tragédia“, tento alçar voo, me ver pequeno com minhas aflições pequenas. Ser menos ingrato, procurar ver por cima do muro. Abrir a janela e olhar o caos lá fora. Cruel, mas necessário. O sofrimento REAL dos outros é meu calmante. Pois é nele que vejo o reflexo da minha própria mesquinhez.

É utópica a felicidade plena? Sem revolução, é. Sem luta diária, é. Abro a porta de casa, todas as noites, e sobrevivi ao mundo. À violência, ao infortúnio, ao acaso. Abro a porta de casa, todas as noites, e vejo meu senhor, meu grande. Vejo meu menino. Minha família também o fez: resistiu. Ainda assim não sorrio? Ainda assim me sento amargurado em uma mesa farta? Basta!

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