A comichão da pré-independência

Há quase uma década, eu entregava minha primeira redação no curso de Jornalismo. Com recém-completados 18 anos, é verdade que eu alimentava ainda muitas ilusões, sendo a mais grave – e hoje risível – delas a de que era possível ganhar um bom dinheiro com o diploma de jornalista. De toda forma, já era latente uma pitada de realismo (ou pessimismo?), aliada a um bom humor do qual sinto falta. Fiquei mais amargo com o tempo. Transcrição abaixo.

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De que vive o Jornalismo?

“Devemos ter em mente que, em geral, nossos jornais buscam antes impressionar os leitores – causar sensação – do que trabalhar pela causa da verdade. Este último objetivo só é seguido quando acontece de coincidir com o primeiro. O jornal que simplesmente concorda com a opinião geral (por mais bem fundada que essa opinião possa ser) não consegue com isso prestígio da multidão. A massa do povo só considera profundo aquilo que sugere vivas contradições diante da ideia geral”.

Edgar Allan Poe, em “O mistério de Marie Rogêt” (“Antologia de Contos Extraordinários”).

Do Jornalismo ao ceticismo

Mesmo admitindo que poderia ter levado mais conhecimento daqueles 4 anos, não foi pouco o que aprendi cursando Jornalismo. O que importa, porém, não é a quantidade. Nem a qualidade (!). É o uso que se dá à teoria. E onde se dá. Explico-me: de nada adianta absorver todo o saber possível no campus e não levá-lo para fora dele, para a vida, para a práxis (profissional, mas principalmente a pessoal). É preciso saber aplicar, ainda que inconscientemente, o que foi gentilmente enfiado em sua cabeça durante o curso.

De tudo que aprendi – e ainda aprendo – posso ser categórico em relação à mais importante “habilidade” que adquiri: a visão crítica. Não que seja necessário ser jornalista ou levar embaixo do braço qualquer outro diploma para ser um indivíduo crítico, não é isso. Mas, no meu caso, foi a academia que me trouxe esse “colírio”, que me “desembaçou as vistas”.

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Jornaleiro

Escolhi fazer jornalismo meio de olhos vendados, não nego. Fui ingênuo e achei que minha predileção pela escrita e leitura eram indícios de que a minha carreira seria jornalística. Descobri depois que não, não é o suficiente ser uma traça devoradora de livros e cravar dez em toda redação. Mas tive a sorte que nem todos têm: me apaixonei pelo curso. Comecei pelos motivos errados, mas terminei pelos certos.

Como (quase) todo garoto de 18 anos, me agarrei ao idealismo, ao sonho de ser o novo Mino, o novo Francis, o novo Herzog. Achei que sairia dali para virar do avesso o Congresso, revolucionar a imprensa marrom, bater de frente com o chefe de redação. Por que não poderia? Elogiado pelos mestres, vigor para trabalhar muito e ganhar pouco, sonhos ainda frescos e inocentes. Carne nova pronta para ser assada. E fui. Todos fomos.

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