Experimente: El Efecto

Que banda é essa, meus caros leitores? Que banda é essa! Confesso que quando comecei a ouvir, esbocei um sorriso imediatamente. Percebi que ouvir o álbum Pedras e Sonhos seria uma descoberta atrás da outra, um sorriso atrás do outro. E foi. Nada é previsível nesse álbum. As músicas são extremamente trabalhadas e passeiam por diversos ritmos e instrumentos, do baião ao heavy metal, do triângulo à escaleta, e o mais importante: conservando uma intensa carga emocional e crítica.

As letras são densas e divertidas, contando histórias, provocando, instigando. Sem contar os arranjos de vozes: um verdadeiro afago para os ouvidos. Pra quem gosta de ouvir sons diferentes, é um prato cheio. E pra quem não gosta, pode aprender a começar a gostar agora.

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Experimente: The Gramophones

Tudo começou quando procurava urgentemente por uma banda diferente de blues/rock, atual e de preferência nacional. Depois de ouvir alguns sons antigos e batidos, porém certeiros enquanto pesquisava (o agradável mais do mesmo), encontrei uma tal banda de blues rock do interior paulista: The Gramophones.

A banda, formada por Brunno Cunha (guitarra), Felipe Rangel (vocal), Pedro Guy (baixo) e Mateus Polati (bateria), lançou seu álbum de estréia “Down By The Countryside” no primeiro semestre do ano passado. O disco pode ser ouvido gratuitamente no site: http://thegramophones.bandcamp.com, pode ser adquirido pelo iTunes ou em sua forma física pelo http://thegramophones.tanlup.com.

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Experimente: Vespas Mandarinas

Rock brasileiro sem rodeios, essa é a banda Vespas Mandarinas. Formada por integrantes de outras bandas já conhecidas do cenário do rock underground (ainda existe rock mainstream?) paulistano, as Vespas são: André Dea – baterista do Sugar Kane, Flávio Guarnieri – ex-baixista do Sugar Kane, Thadeu Meneghini – ex-Banzé, e Chuck Hipolitho – ex-Forgotten Boys e atualmente apresentador da MTV e produtor musical.

No dia 09 de abril de 2013 a banda lançou seu primeiro álbum completo: Animal Nacional. Já possuíam dois EPs lançados em 2010 (Da Doo Ron Ron) e em 2011 (Sasha Grey). Eu já havia ouvido alguns desses sons antigos, mas o novo álbum me surpreendeu demais, e positivamente.

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Experimente: Porcupine Tree

Ano passado, em uma das minhas aulas com meu guru da bateria, Mestre Christiano Rocha (conheça: http://www.christianorocha.com), fui apresentado à banda inglesa Porcupine Tree. Ouvi apenas um groove do baterista Gavin Harrison (que assumiu o posto a partir de 2002) em ação com a banda e foi suficiente, a partir desse momento me interessei em ouvir todos os álbuns e assistir todos os shows ao vivo disponíveis.

A banda me encantou pela criatividade e simplicidade em algumas músicas (coisa que no “nicho” do rock progressivo é raro), prezando muito mais pela musicalidade e pelo conjunto da obra, do que para a técnica, para a “fritação” característica de alguns progs (não todos, claro).

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Cabresto musical

Sou meio chato pra música. Não que eu tenha gostos extravagantes ou critique demais certos gêneros. Mas porque sou acomodado. É, um acomodado musical. Eu ouço as mesmas coisas que ouvia quando tinha 12 anos, com poucas exceções. Foi nessa idade que deixei de ouvir os CDs do Roberto Carlos do meu pai e passei a ter gosto próprio (amém!) (brincadeira, o Rei é bacana).

O primeiro CD que ganhei foi um do Bob Marley. Foi um daqueles de R$ 9,90, que você compra no Carrefour. Depois disso, estava indo pra praia com meu discman (lembram?) e fui introduzido ao heavy metal pela minha amada prima (sério, obrigado!) durante a viagem. Chegando lá, corri à feirinha para comprar meus dois primeiros discos. Na época, eu não me sentia mal em apoiar a pirataria. Voltei com Metallica e Black Sabbath na sacola.

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Tom Zé – João nos Tribunais

Música para ouvir, para entender e… para aprender, por que não? Música boa, inteligente e criativa (e são essas que eu levo comigo e que chamo de MÚSICA BOA) do álbum “Estudando a Bossa” de 2008 (sim, é atual, há muita coisa de qualidade, brasileira e atual, basta desligar a TV e o rádio e ter CURIOSIDADE) do gênio Tom Zé:

João nos Tribunais

Se João Gilberto
Tivesse um processo aberto
E fosse nos tribunais
Cobrar direitos autorais
Por todo o samba-canção
Que com a sua gravação
Passou a ser bossa nova
Qualquer juiz de toga
De martelo ou de pistola
Sem um minuto de pausa
Lhe dava ganho de causa
 
“Chega de Saudade”-
Veja o caso deste samba
Gravado em 58
por Elizeth Cardoso
“pela pátina crestado”
Vinícius ficou gamado
O biscoito da Cardoso
Foi divino, foi gostoso,
Mas era um samba-canção lindo
E nunca passou disso não
 
Mas quatro meses depois
João gravou com a levada
A voz no jogo sincopado
O violão todo abusado
O coitado foi chamado
De cantor desafinado,
Sem ritmo, ventríloquo,
Mas diante do desafinado
O mundo curva-se, desova,
E tudo até então louvado
Foi jogado numa cova
O sol chocou duzentas ovas
E nasceu a bossa nova
 
Qualquer juiz de toga
De martelo ou de pistola
Sem um minuto de pausa
Lhe dava ganho de causa
 
O Carnegie Hall foi importante
Porque pinçou João,
separou João
Como a grande gema,
a grande jóia
Foi o Carnegie Hall
 
Diante do desafinado
O mundo curva-se, desova,
E tudo até então louvado
Foi jogado numa cova
O sol chocou duzentas ovas
E nasceu a bossa nova
 
Ali, é que nasceu a bossa nova

Mútuo – Parte II

Ele chega em sua casa e senta em seu sofá após a noite extenuante. Seus ouvidos estão zunindo, seu coração ainda está acelerado. Sempre tem dificuldade de dormir após uma apresentação. Fica inquieto, agitado, mil coisas passam pela sua cabeça, apesar de sentir um extremo cansaço.

Olha para a sua coleção de DVDs e escolhe um, escolhe um especial para esta noite: uma apresentação de Horace Silver e seu quinteto em um festival de jazz de 1976. Um achado. Ah, como ele gosta desse som. Como gosta do Horace. Já coloca a sua favorita. “Song for my father” explode em seus ouvidos e ele decide se presentear pela boa atuação da noite. Uma dose de seu doze anos favorito. Sua velha tradição. Já não bebe frequentemente por problemas de saúde, bebe apenas em ocasiões especiais, e essa noite é uma delas. É uma noite realmente especial para ele.

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Mútuo – Parte I

Em um lampejo, ele percebe tudo. No meio daquele refrão, todos olham e escutam. Ele consegue. Cumpre seu objetivo com maestria. Sente e é sentido. Se faz único por intermédio de suas mãos e dedos, impregna o ouvido da plateia por um momento que seja.

A marca do seu ser humano está lá, infiltrada, dentro da mente de cada um. E eles percebem, sabem disso, e o mais incrível: eles adoram. Se deleitam enquanto interpretam tudo aquilo. Agora ele não pode mais parar. Criou uma imensa expectativa naquela sala. O turbilhão de ideias que passam em sua mente não cessa, ele sua. Só precisa organizá-las com calma. E o faz.

Agora, durante os aplausos, tudo faz sentido. Tudo ficou claro. Ele sabe novamente quem é. E sabe por que fez o que fez. Acontece o inabalável entendimento artístico entre os que estavam presentes naquela sala. O ser único musical dentro deles, músico e plateia, emerge. Assim, vão embora para as suas residências, os dois, juntos.