Os melhores de nós são frágeis

“Com efeito, o resultado direto e legal da consciência é a inércia, isto é, o ato de ficar conscientemente sentado de braços cruzados. […] Repito, repito com insistência: todos os homens diretos e de ação são ativos justamente por serem parvos e limitados. Como explicá-lo? Do seguinte modo: em virtude de sua limitada inteligência, tomam as causas mais próximas e secundárias pelas causas primeiras e, deste modo, se convencem mais depressa e facilmente que os demais de haver encontrado o fundamento indiscutível para a sua ação e, então, se acalmam, e isto é de fato o mais importante. Para começar a agir, é preciso, de antemão, estar de todo tranquilo, não conservando quaisquer dúvidas. E como é que eu, por exemplo, me tranquilizarei? Onde estão minhas causas primeiras, em que me apoie? Onde estão os fundamentos? Onde irei buscá-los? Faço exercício mental e, por conseguinte, em mim, cada causa primeira arrasta imediatamente atrás de si outra, ainda anterior, e assim por diante, até o infinito. Tal é, de fato, a essência de toda consciência, do próprio ato de pensar”.

Fiódor Dostoiévski, em “Memórias do Subsolo”.

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Pensamento Tresloucado

A mente inquieta trama planos secretos. Libera, novamente, o pensamento oprimido. O lado errado descamba novamente. A curiosidade desperta, e a vontade renasce; o mal ressurge sem forma, sem vícios, sem virtudes. Mas, forte.

O pensamento tresloucado; o pensamento tentador. Uma jovem encantadora de longos cabelos. Como é forte sua influência. Os limites morais são suspensos por alguns minutos. Como são fortes os seus motivos! O pensamento libertador. É permitido ousar, ultrapassar as delimitações fronteiriças. É permitido esquecer os grilhões; dissolvem-se as correntes que envolvem os instintos.

É permitido pensar: “o mal é necessário”.

Doping mental

Entre um gole e outro de cerveja é que surgem as melhores conversas. Era 2008, eu fazia 18 anos e uma viagem com mais três amigos. Depois de alguns copos, o assunto começou. Falávamos sobre a necessidade de conhecimento, que só a sabedoria liberta o homem. Vou tentar convencê-los de que não era só papo de bêbado.

Concluímos (uau!) que o ser humano só é superior às demais espécies de seres vivos pela racionalidade, pela capacidade de pensar. Somos um fracasso em outros sentidos. Força física, audição, olfato, velocidade, visão. Somos, na melhor das hipóteses, “regulares” em todos esses aspectos. Há, na natureza, ao menos um representante que nos supera – e muito – em cada um desses pontos.

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Trabalho, logo ignoro

Não sou um profundo conhecedor da Filosofia moderna, mas gosto particularmente da corrente racionalista. Sabe aquela famosa máxima que você anotou no caderno uma vez e depois usou como status no MSN? “Penso, logo existo” é, em minha opinião, a melhor síntese que três palavras podem construir. Resume uma era e um caminho. Um caminho que seguimos em parte.

Se levássemos ao pé da letra a sentença de René Descartes (não, não é de Sócrates), não restaria muito da humanidade. Curioso é que o pensador francês viveu em um período feudalista, no qual a Igreja era a lei. Ou seja, nada muito diferente do que vivemos hoje no nosso Brasil “laico”. De qualquer forma, credito a culpa do nosso “não pensar” em outro fator mais do que no fanatismo religioso.

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Ser humano

Caminhando devagar, olhamos nossos pés andando por essa estrada, nada pode nos parar, não há mais nada aqui além da nossa vontade. Queremos evoluir, deixar de vez as ilusões que nos tentam, dominá-las para enfim as mandarmos embora.

O caminho que eles estão nos impondo está nos matando aos poucos. Coisas, coisas e mais coisas. Eles querem nos transformar em um amontoado de coisas. Quanto mais nós nos afastamos de tudo isso, mais nos aproximamos da verdade. Interiorizamos os sentimentos, as ideias, clareamos o pensamento durante essa busca solitária; somos solitários auto-exploradores.

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