O muro

Por Davi Sabry

Seu Zé, levante um muro aqui. Se preocupe com o tamanho não, homi, que quanto mais cedo a gente começa mais logo a gente termina. Mas faça alto, que não quero cabra espigão espichando o olho pro lado de cá. Chame também Severino pra ajudar, o de Maria, do finado Zacarias. E seu inventor, João Cabral de Melo Neto, que inventou de desencarnar antes de inventar uma história boa pra falar desse grande feito muralístico.

Do lado de cá comece logo botando a Iracema de José de Alencar. E aquele tal de Nelson, o Rodrigues, pra abrir os olhos dessa gente sobre a vida, do jeitinho que ela é. E pra não dizer que não tem mascote, chame Graciliano Ramos com a cachorra Baleia pra ficar por aqui também.

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Tempo de ódio

Não que fosse diferente no passado, mas me parece nítido que a internet escancarou o chorume, jogou luz sobre os bueiros, de onde os ratos saem guinchando, ensandecidos por morder quem se coloque à sua frente.

A primeira reação, o ímpeto que me toma é o de pisar nesses roedores, chutá-los para longe, tratá-los com a baixeza que (supostamente) merecem. Encho-me de ódio, tal como eles, e me preparo para o (contra-) ataque. E só então é que me apercebo: se reagir às suas provocações no mesmo tom, passarei a integrar a ninhada.

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O apartheid brasileiro

Nos últimos dias, tenho sentido um cheirinho de Terceiro Reich no ar. Não que ele já não estivesse circulando por aí antes, sempre esteve, mas agora ninguém está tentando disfarçar com Gleid. Os “rolezinhos” fizeram aflorar os pequenos Führers da internet.

Ação e reação, não é? Se jovens da periferia estão fora de seu “cercadinho”, temos que tomar uma atitude! Que fazem aqui, nos incomodando em nossas mecas do consumo? No MEU Outback? No MEU Starbucks? Ora, cadê a polícia para nos defender desses “potenciais meliantes”?

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Desabafo

Não queria ter que fazer este post. Na verdade, é deprimente escrever este texto. Mas é necessário. Quem sabe esta mensagem não chega a um dos porcos aos quais é dirigida?

Classe média podre. Carente de caráter. É ela, junto da pequena elite, que cunha verdadeiras barbáries preconceituosas, palavras que ferem tanto quanto lanças. São essas pobres pessoas que destilam seu veneno contra moradores de rua, nordestinos, gente sem teto. A escória que teima em falar merda.

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